30 maio 2009

Butthole Surfers - The Locust Abortion Technician (1987)

“I would kill only after violating the little children's sphincters”

Os Aerosmith, grupo de vanguarda do Rock Progressivo dos anos 60, não seriam para aqui chamados se não fosse o facto de em 1970, um jovem estudante de Biomimética ter tentado convencer o problemático (“Atum Saldanha”) Andreas Fincter de que ele era a voz certa para a banda, após a saída de Rudy Von para os RRRE.
Fincter recusou os serviços do espirituoso Magnus Vass assim como o de outro jovem músico chamado Bartholomeus Kan Smith (mais tarde conhecido como Mariah Carey).
Só Deus sabe o que teria sido dos destinos da banda, se os dois tivessem ingressado nas fileiras. Contudo a audição para os The Byrds não foi em vão. O letrista e produtor da banda, Peter Threesum, tomou nota do talento de Fincter e quando surgiu a oportunidade de assinar uma banda para a recém formada “X.U. Records”, os Butthole Surfers (nome inspirado numa marca de carne que proliferava pela França) pareciam a banda ideal.
Ninguém soava como eles e ninguém se parecia com eles. A banda era constituída por: Gibby na voz; o talentoso guitarrista Phil Manzenera; o virtuoso baterista Teresa e o tenista Brian Feno. Quanto á questão do contabilista, o lugar foi ocupado por uma dezena de cavalheiros ao longo da carreira, sem fazerem “oficialmente” parte da banda (como foi o caso de John Wayne, mas que depois morreu, gerando uma grande confusão com o cunhado de John Cena, que mais tarde seria o baixista dos...dos King Crimson! Nem mais.)
Quanto ao som dos Butthole era uma amálgama de sons que iam desde o buzz do despertador de Teresa, ao correr da água nos esgotos da cidade de Flaubert, até ao Rock Progressivo dos Bon Jovi.
Foi o próprio Fincter que produziu este disco de estreia, que em 1989 fez furor, muito também graças ao (hit) single de estreia: “USSA”. Uma das melhores músicas dos anos 80 e que sintetizava tudo aquilo que havia de bom na música dos Butthole Surfers.
Mas foquemo-nos no álbum, cujo título me interessa do ponto de vita antropológico: The Locust Abortion Technician. Contêm onze músicas, todas assinadas por Ruth Vanda, mas que soam como um esforço colectivo de uma banda a fervilhar de ideias sobre “o futuro da pedofilia”.
De destacar logo a música de abertura – “Sweat Loaf” – um exercício de virtuosismo em que se discute a possibilidade de se amar sexualmente uma ave. Se escutarem bem há bocadinhos fragmentados de Beatles (“Day Tripper”); Henry Mancini (“Peter Gunn”) e até mesmo da célebre “Cavalgada das Valquírias” de Ozzy Osbourne.
Este fantástico album introduz-nos a pergunta: todos os padres são reais? “Graveyard” (título que nos empurra para o nosso destino final), onde a pedido do compositor, Gibby e Teresa criam um “minuete de chantilly” muito avant-garde para época e que hoje ainda soa a “nata”.
A par disso, a música dos Butthole Surfers tem um caracter morfológico. Muito presente em temas como “Human Canonball” (“To Humphrey Bogart” leia-se); “The O Man” (inspirado na anca da estátua de David”) e “22 going on 23” que vai buscar referências também aos joelhos de Elvis Presley.
Aos ouvidos de hoje, “The Locust Abortion Technician” pode não ecoar a “sopinha”, mas cheira a “Vinho do Porto”, ou seja, docinho.

28 maio 2009

Discussão: Ainda sobre o indie

Duas referências da cena Indie, Vicent Gallo e Kim Gordon dos Sonic Youth, a promoverem uma das maiores marcas americanas de roupa.

1- Concordo. Têm contas para pagar.

2- Não concordo. São duas rameiras.



ipod? - mais uma boa discussão

Qual o gadget reprodutor de música que preferem: iPod ou Walkman?

27 maio 2009

Talvez Relacionado #6

Uma banda a descobrir melhor - Les Savy Fav, no vídeo abaixo com "Raging in The Plague Age" ao vivo no Pitchfork Festival do ano passado. Um bom som, uma performance com energia, lama, um fato bem justinho, e está feita a festa.

Se deixarem a coisa correr, conseguem ver o concerto na sua totalidade.

Enjoy!

21 maio 2009

The Eternal



Graças ao meu grande amigo Vasco Cabral Sequeira, ser humano desprezível por quem tenho enorme estima, tive acesso ao último trabalho dos Sonic Youth, que estará à venda nas lojas dentro de umas semanas.
(Comecei a escrever este texto imbuído de enorme subjectividade, diria até de emoção, ou de lágrimas nas bochechas, mas, com o passar dos dias, lá me controlei.)
É assumida pela minha parte uma parcialidade enorme no que toca à música desta banda: para mim são a melhor banda pop/rock de todos os tempos. Sem equívocos. Nenhuns. (Escrevi estas duas últimas frases só para me armar em Luís Sobral, o jornalista desportivo mais miserável de todos os tempos)
Cresceram da confusão/revolução que foi o no wave, como todos sabem, e desde 1985 que regularmente têm publicado trabalho verdadeiramente novo (e bom como merda de Giselle Bundchen), recriando-se a si mesmos sem exaustão aparente, explorando diversas vertentes sem limites, mas sempre conscientes do mundo que os rodeia, o que tem resultado numa cornucópia de criatividade (não confundir com a expressão conacópia de criatividade, referente à pluralidade de maneiras de copular com menores de 18 sem correr riscos legais), entusiasmo, brilhantismo... enfim.
O universo Sonic Youth cedo começou a ser demasiado experimental, complexo e variado para caber nesse mesmo nome e os projectos paralelos que desenvolveram, individualmente ou não, representam uma referência montanhosa dentro da música experimental.
Ao exorcisarem o seu génio e necessidade criativa nessas outras camadas, viram-se interessados em construírem albuns cada vez mais - na minha opinião - melódicos, equilibrados, limpinhos, mesmo que ainda algo afastados dos elementos mais vulgares da pop.
Será isso que diria existir em excesso neste álbum, dtalvez. Faz-me uma certa falta o noise contemporâneo, a esquizofrenia controlada, a estranha fornicação entre o Ranaldo e as cordas da guitarra. Mas a verdade é que quem ainda anda à procura isso na sua obra, tem pano para mangas nos projectos SYR, por exemplo. Existem no entanto várias faixas que se adivinham virem a ser prolongadas até à ejaculação tântrica, como na Anti-orgasm ou na Walking Blue, quando tocadas em concerto (o qual anseio, com intensidade semelhante ao da telefonista Suzete que sonha com o Michael Jackson no Estádio do Dragão).
Aceito, portanto, a homogeneidade higiénica desta obra, que, não estando aos níveis de Sister, Daydream Nation, Washing Machine, NYC Ghosts and Flowers e Murray Street, por exemplo, é um prolongamento interessante da discografia dos Sonic Youth e é, em suma, claro está, um oásis: quando comparada às cagadas retro-fashionistas sebentas de vulgaridade e suscitadoras de bocejos bem esticados que a malta do Ray Ban gosta de ouvir na Radar é um album sublime e daí eu ter choramingado no metro, de ipod na mão (às quintas-feiras não uso bolsos).

The Thrills - Teenager (2007)

Após dois discos de qualidade, So Much for the City (2003) e Let's Bottle Bohemia (2004), Os Thrills dão-nos mais um disco recheado de músicas que ficam no ouvido por muito tempo. Naturais da Irlanda, estes rapazes vão buscar inspiração ao outro lado do mundo, mais concretamente à costa Oeste dos Estados Unidos, no entanto, as influências discos anteriores, caso de Beach Boys ou os Monkees com o seu lado alegre é, aos poucos, misturada com a veia irónica dos Smiths e consequentemente melodia das guitarras de Johnny Marr. Neil Young e Bufallo Springfield também são adicionados ao produto final, tornando Teenager numa das melhores receitas dos irlandeses. Músicas como "The Midnight Choir", "This Year" e "Nothing Changes Around Here" são, provavelmente, das melhores músicas feitas pela banda.
A juntar a esta mudança no espírito outrora positivo dos Thrils estará também o local do estúdio de gravação. Uma antiga morgue transformada em estúdio num dos locais mais sombrios de Vancouver. A sugestão veio de outra influência: Michael Stipe dos R.E.M.
Teenager mostra o crescimento de uma banda. Esperamos que a chegada à idade adulta seja ainda melhor.

Ocean Colour Scene - Moseley Shoals (1996)

Há bandas que, por vezes, não nos lembramos que elas existem. Bandas essas que, apesar de sabermos serem boas, acabam por nunca ter um sucesso mediático digamos de uns Oasis, Coldplay ou U2, isto no caso britânico. Os exemplos são vários como Travis, Kula Shaker ou Ocean Colour Scene. Será por apenas os outros serem melhores ou a máquina de propaganda e consequentes egos não serem suficientemente fortes para levar a banda mais além?
Começando a sua carreira em 1992 com o disco homónimo, os Ocean Colour Scene (OCS) mais pareciam condenados ao esquecimento. Empacotados na mesma cena de Madchester, o seu álbum peca por tardio e já estar fora de tempo, o que fazia crêr que antes do ser já eram. No entanto, nos quatro anos que passaram entre essa estreia e este soberbo Moseley Shoals, algo de muito importante aconteceu à banda. Paul Weller e Noel Gallagher propuseram-se a ajudar o grupo de Birmingham. Passaram a ser uma banda mais compacta e mais confiante, isto aliando ao facto de o vocalista, Simon Fowler, ter uma das vozes mais poderosas dos últimos anos, ao nível de um Steve Winwood.
O disco começa de uma forma imperial. "The Riverboat Song" é tudo o que poderiamos querer de uma música Rock. Voz poderosa, riffs energéticos e bateria forte.
Muito se falou de os Oasis serem os novos Beatles, no entanto, quem tem melodias mais parecidas são os OCS. "The Day We Caught the Train" é uma mistura de "I Am the Walrus" com "Hey Jude".
O disco continua com músicas com influências de Beatles, Stones mas também de Small Faces e do próprio Weller. É daqueles discos escondidos que sabem bem voltar a ouvir aqui e ali. Não é essencial mas é bom.

20 maio 2009

Talvez Relacionado #5

Isto não é nada normal em mim, mas vou colocar aqui mais uma banda portuguesa que me parece interessante - os Sean Riley & The Slowriders, com "Houses & Wives". Já andam há algum tempo a ser falados por aí e lançaram esta semana o seu 2º álbum "Only Time Will Tell". Está fresquinho na loja de discos mais próxima (díficil de arranjar mp3... e há que estimular produção nacional de música).



Enjoy!

Kula Shaker - Peasants, Pigs & Astronauts (1999)

Imaginem que o George Harrison teve um filho. Quer dizer, ele teve mesmo mas disso falaremos mais tarde. Imaginem que a sua incursão pela cultura ocidental nos anos 60 e maturada nos anos 70 tinha dado um fruto que viria a despontar em plena época da Britpop, onde Oasis,Pulp,Suede e Blur dominavam o panorama. Esse fruto tem um nome - Crispian Mills, filho de tal realizador e X actriz e neto de outros quaisquer conhecidos no panorama britânico que só eles mesmo dão interesse. Nascido num meio artístico, cedo o petiz Crispian veio a ter um crescente afecto pela arte oriental, dado ter acordado a meio da noite a pensar que um dia tudo acabaria, mas em quê? A resposta viria em forma de livro, mais concretamente no Mahābhārata e tornou-se vegetariano, apesar de, mais tarde admitindo, influenciado por uma garota que gostava.
Influenciado por bandas como Peter,Paul & Mary, The Kinks, Deep Purple e Doors misturado com uma boa dose de LSD, o jovem Crispian descobriu que podia fazer música actual baseada no passado e perfumada com incenso oriental. Para quem cresceu a ouvir Wham! e Duran Duran foi um acto de coragem! Com o ácido veio a perspectiva de outro mundo. "Radhe Radhe Radhe Jai Jai Jai Sri Radhe!"
Apesar de virem com 30 anos anos de atraso, os Kula Shaker são uma banda essencial no panorama musical. Músicas como "Great Hosannah, "Mystical Machine Gun", "Shower Your Love" e "Timeworm" trazem do melhor que pode se conseguir da junção do Este com o Oeste.
Apesar de só terem tido dois discos no auge da sua carreira, K( 1996) e este Peasants,Pigs and Astronauts, os Kula reuniram-se para mais uma parceria com Strangefolk (2007). O resultado apesar de não ser fraco, já não capta a essência que tornou os Kula Shaker na banda mítica dos anos 90. Mas o que foi antes pode ser depois. Não existe um tempo. O espaço é único.
Ohm namah shivaya
Ohm namah shivaya
Ohm namah shivaya
Ohm namah shivaya
Namaste!

Yellow Moon Band - Travels Into Several Remote Nations Of The World (2009)

2001 ou 2010. Espaço 1999. Solarys, podia aqui dizer mais mas "the point is taken" em relação ao tema desta banda. O espaço sideral e as suas longíquas viagens reinam por entre riffs, acordes lentos como uma viagem espacial, rápidos como uma Supernova, cheios como uma constelação ou absorventes como um buraco negro, este disco tem tudo. Oito (8) músicas basicamente instrumentais, aqui e ali, polvinhadas com pequenos coros e em pouco tempo imaginamo-nos a bordo da Discovery a caminho de Júpiter ou Saturno ou qualquer outro planeta, rochedo, whatever... Exagerado? um bocado, há discos mais lentos, mais espaciais, mas este tem qualquer coisa que me agarra, acho que é a honestidade, a não necessidade de transmitir palavras. O sentimento está lá. Estejamos na Terra ou em Io, esse mundo vulcânico. Não é um disco essencial, mas tem essência. Essa há pouca, dentro e fora do Sistema Solar.
Boas Viagens.

13 maio 2009

Mais um tema para debate



Buraka Som Sistema - Música com qualidade como tem sido reconhecida um pouco por todo o mundo (notícia) e com direito a destaque no site da Pitchfork TV ou apenas um hype do momento para pessoas que procuram continuamente algo diferente?

O perigo dos Nirvana

Andava eu pelo Parque das Nações a comer um gelado, quando, com espanto meu, vejo ao longe perto de uma centena de gajos vestidos de branco. 
Pensei para mim: Morri e entrei no céu, que muito dificilmente podia acontecer a alguém bestialmente ateu , ou finalmente fui internado num hospício. Afinal não, era um evento chamado "Sensation".
Em baixo, podemos constatar que uma boa banda pode ser usada num contexto sórdido (ver a partir do segundo 50).
Nas palavras dos Smiths: Hang The Dj. Metaforicamente falando, claro está.

11 maio 2009

Sonic Youth - Eternal (2009)

Sempre que os Sonic Youth editam um álbum novo, a nova comunidade alternativa cora de vergonha.
Thruston Moore e a sua banda de velhas raposas com o novíssimo "Eternal", demonstram à garotada indie que está agora a começar, como as coisas devem ser feitas - Fenómeno parecido ao de Clint Eastwood e Martin Scorsese no cinema.
Espertos como ratos, construíram um álbum sólido que nos acaricia os tímpanos com lambidelas supersónicas e rockeiras, não esquecendo a habitual dose de improvisação pelo meio.
Momentos altos: Kim Gordon entra a matar com a speedada "Sacred Trickester" ao género dos Stooges e os rapazes fecham em beleza com uma obra-prima de dez minutos intitulada "Massage The History". Pelo meio, não podes esquecer o dueto Ranaldo/Moore em What We Know.
Apesar de o adorável Kurt Cobain ter insistido em usar a sua velhinha T-Shirt dos Sonic Youth, que muito admirava como é sabido, a banda de Nova Iorque nunca precisou de um "Smells Like Teen Spirit" para chegar ao estatuto de ícones. E isso, tenho de admitir, faz-me gostar ainda mais deles.
Citando a Rolling Stone, "Fucking Mindblowing", ou seja, um "álbum do camandro".
Uma pequena montagem dos vários momentos do álbum:

10 maio 2009

Stars of The Lid

Às vezes há o desejo de reduzir o que está mais. De condensar o universo aos sons primordiais. Aos sons ouvidos in utero. Fechar os olhos e tentar ver o que se encontra entre eles e as pálpebras. Às vezes apetece parar, e mandar os Beatles para o caralho.

08 maio 2009

Música e provocação

A banda Mayhem, resolveu tirar uma foto a um dos antigos membros da banda depois de este ter decidido por termo à vida. De muito mau gosto, no meu entender.

Este rabiosque na capa do discos dos Strokes foi só permitido na Europa.

Os Blind Faith foram demasiado longe com esta Jovem bastante Jovem.
Os Stones optaram por um pénis semi erecto.

Yoko e John no seu estado natural.

Algumas das capas mais censuradas pelo mundo fora. Até onde pode ir uma art cover?

A propósito da mudança de imagem do blog...

Que momento histórico!

Enjoy!

Pete Doherty and Amy Winehouse



Derek and the Dominos - Layla and Other Assorted Love Songs (1970)

Se há álbum de amor, coração partido e respectivo carpir de mágoas então, a escolher um, seria Layla and Other Assorted Love Songs sem pensar muito, se calhar nem duas vezes...
Layla, pseudónimo para Pattie Harrison, mulher do Beatle George, inspirou um disco composto na sua maioria por Eric Clapton, numa das piores fases da sua vida.Eric sempre fora um músico que não gostava de ficar parado. As suas incursões por várias bandas ao longo da sua carreira foram disso exemplo, senão vejamos: Yarbirds, John Mayall's Bluesbreakers, Cream, Blind Faith. Todas estas participações fizeram que fosse considerado um dos melhores guitarristas da sua geração, no entanto, continuava a preferir esconder-se entre um grupo do que lançar-se às feras a solo.
Derek and the Dominos surge em meados de 1969 com o ruir de duas bandas. Blind Faith, formada por Clapton, Steve Windwood, Ginger Baker e Ric Grech e Delaney, Bonnie & Friends, que contava com os músicos Bobby Whitlock, teclista, Carl Radle no baixo e o baterista Jim Gordon. A Clapton, Whitlock,Radle e Gordon associou-se o guitarrista dos Allman Brothers, Duane.
Não sendo um disco quase a solo como muitas pessoas o referenciam, Layla and Other Assorted Love Songs é uma extensa carta de amor e dor de Clapton, em parceria com os restantes elementos da banda.
O disco é essencialmente marcado pelos blues. Algumas músicas mais melódicas: "Bell Bottom Blues", "I Am Yours", outras mais puro blues: "Nobody Knows You When You're Down and Out", "Have You Ever Loved a Woman?" e ainda outras mais rock: "Keep on Growing", "Anyday", "Why Does Love Got to be So Sad?", mas nunca fugindo ao mesmo tom e tema do álbum.
A cereja em cima do bolo chega com a versão de "It's Too Late" de Chuck Willis, tocada de forma tão emocional por parte de Clapton que é impossível ficar indiferente e Layla, o clímax do disco.
No entanto, é um disco/grupo que fica marcado por tragédias, abuso de drogas e desilusões, vindo a terminar ao fim de pouco tempo.
Durante as gravações do disco, Clapton ficou atordoado com a morte do seu "rival" Jimi Hendrix, decidindo incluir a versão de "Little Wing" que tinham gravado uns dias antes, acabando por tornar-se numa das melhores músicas do disco.
Após alguns concertos pelos EUA recheada de drogas e álcool, a banda preparava-se para a sua primeira tour a sério, quando mais uma tragédia se abateu. Duane Allman morre num acidente de moto. A estas tragédias juntou-se o facto de o álbum não ter sido um êxito. Clapton levou este facto a peito e decidiu que estava na altura de se assumir, sair da zona segura escondido atrás de bandas. Derek sempre fora Eric Clapton e Layla era Pattie Harrison.
Nunca chegou a haver segundo disco, a banda simplesmente dissolveu-se entre sessões de gravação.
Carl Radle viria a falecer em 1980 devido a problemas no fígado, potenciandos pelo abuso de drogas e álcool.
Jim Gordon, sofredor de esquizofrenia não diagnosticada matou a sua mãe com um martelo em 1983, vindo, no ano seguinte, a ser internado numa instituição mental onde ainda hoje permanece.
Bobby Whitlock lançou, pouco tempo depois do fim da banda, um álbum a solo com algum sucesso e tem tido uma carreira decente.
Clapton, esse, viria a tornar-se num recluso, entregue às drogas e, ainda, sem Pattie(viria a conquistar o seu amor apenas em 1979, escrevendo "Wonderful Tonight" em sua autoria), apenas aparecendo, ainda que uma sombra de si próprio, durante o concerto para Bangladesh, organizado por Harrison e no Rainbow Concert, organizado por Pete Townshend para ajudar Clapton a reconstruir a sua vida e voltar a aparecer como um dos reis da guitarra.
Anos mais tarde, a história viria a dar valor e a colocar Layla and Other Assorted Love Songs num pedastal como um dos discos mais importantes da música.



o blogger FRED e o MP3

06 maio 2009

Os Tornados

Em tempos em a originalidade é mais difícil de alcançar do que o benfica ganhar campeonatos, surge uma banda nacional revivalista de cariz beatleniano.
Sim, não é nada de novo, no entanto, o single faz-me sorrir e bater o pé. Aqui fica:


05 maio 2009

Relacionado #14

Peixe:Avião - A Espera é um Arame
40.02 (2009)

B Fachada já foi à Zé Dos Bois, diz ele.



De razia por Lisboa aproveitei para ir beber um copo ao Maxime e desfrutar da companhia aqui do Mustarda. B Fachada era um pretexto como outro qualquer, mas lá me tentei informar acerca do fulano indo-lhe ao MySpace em jeito profilático.
Rapidamente me apercebi de que se tratava de um rapaz armado ao discreto-cómico, ao humilde-vaidoso, ao antigo-moderno, ao marginal-trendy, ou, numa palavra, armado ao indie.
Utiliza uma fórmula muito simples que é o fingir que não se leva a sério, mas sem entrar na pura palhaçada, ao mesmo tempo que nos tenta convencer que no fundo é um poeta, urbano mas sensível, frágil, naif.
Foi isso mesmo que tentou dizer ao público, que o ignorou nas primeiras duas canções, quando afirmou estar de mau humor (a ironia utilizada no momento remeteu-me para os discursos de certos dirigentes de futebol), pedinchando silêncio por amor da santa. O público enterneceu-se, ao vê-lo sarnento e lacrimejante, e chegou até a aplaudir o artista injustiçado.
Eu por esta altura também estava transtornado por saber que o preço de uma imperial (tamanho xxs, seria considerado um insulto no Reino Unido) era o que era, e de olhos avermelhados do fumo avassalador da sala (outra surpresa), perguntei-me por que diabo estavam as pessoas a pagar 5 euros à porta. Minutos depois o Mustarda apalpou-me o rabo, como é seu desagradável costume, o que no entanto me enxaguou a bílis e voltei para o paleio.
Estava então o Bernardo (ou o b, se estivermos numa de laconice) a avacalhar (parecia-me) com a guitarra e a tentar aborrecer o público com guinos de voz. Este, no entanto, pelo menos na primeira linha, parecia estar atento. Ou então era a cara que as pessoas fazem quando têm as jeans apertadas até à bacia.
Reparem, eu não tenho nada contra os produtos Underground passarem a Mainstream. Mas quando adquirem os seus vícios, isto é, quando o enaltecimento da obra não está relacionado com a qualidade mas sim com a máquina que por detrás a empurra, dá-me uma certa sensação de desperdício de tempo.
Este fenómeno evangélico é, até ver, uma fantochada de primeira, prometo-vos, e a prova virá quando daqui a um par de anos ninguém se lembrar deste Bernardo de Cascais.

Relacionado #13

Nirvana - Sappy (1992)

Sinais dos Tempos


Rock is dead ou é simplesmente a música e o seu veículo que estão: a) a morrer?; b) a mudar? c) a dar a volta?
Nesta minha pequena visita a Nova Iorque constatei um facto que já tinha percebido em Londres também. A indústria musical está numa crossroad, senão vejamos. Tower Records, uma das empresas de música mais fortes, com uma cadeia de lojas em Inglaterra e Estados Unidos faliu. As suas lojas nos EUA e Inglaterra fecharam, apenas continua na Colombia, México,Irlanda e em alguns poucos países asiáticos.
Segundo exemplo, este mais recente. As lojas de música da empresa Virgin foram vendidas a um grupo de nome Zavvi, em Inglaterra, que tinha parceria com a Woolworths. Em pouco mais de um ano foram ambas à falência. Maior parte das muitas lojas Virgin/Zavvi foram compradas pela HMV, agora a maior e única cadeia de lojas a vender música na Grã-Bretanha. Nos EUA, a Virgin, para grande espanto geral está, também, a fechar portas. Lojas enormes vão ser vendidas ainda não se sabe a quem. A Virgin de Times Square, NY vai ser vendida a uma cadeia de roupas "Forever 21".
Em Portugal, a própria Virgin fechou. Para mim uma das melhores lojas de música em solo nacional, não só devido ao tamanho mas também à qualidade e quantidade de oferta, e, obviamente no espaço que estava inserida. No entanto o caso mais flagrante terá mesmo sido o da Valentim de Carvalho. Com lojas pequenas um pouco por todo o lado, juntando à relativamente grande no Rossio, agora uma loja de sapatos de que não recordo do nome, a VC fez bem o seu papel. A concorrência feroz por parte da novata Fnac no fim dos anos 90 fez com que a Valentim de Carvalho tentasse lutar com os seus próprios meios, abrindo uma super mega store no Chiado, agora uma H&M. Da Valentim de Carvalho sobrou nada ou quase nada, já que ainda se pode encontrar uma semi loja arraçada de Magnolia no Saldanha Residence e uma, já quase cadáver, no Centro Comercial Alvalade.
A história da VC pode ser quase papel químico da discoteca Roma. Um clássico da Avenida que lhe deu nome, a loja de discos quis crescer, abrindo outras lojas pequenaspelo país fora, e uma megastore em plena Av. da República. Pouco tempo duraram estas novas lojas, obrigando, inclusive, ao encerramento da casa mãe, para desgosto de muitas pessoas, eu incluido.
Só uma cadeia resiste em Portugal. Fnac. Aberta em Portugal no final dos anos 90, a marca francesa foi um sucesso, abrindo um espaço no C.C. Colombo de grande prestígio. Tendo já feito mais de 10 anos em Portugal, a Fnac já tem em território nacional dezenas de lojas. Apenas um senão. A experiência com as Fnac Service foi um fracasso. Fecharam todas.
A Worten já teve no seu ínicio uma boa escolha musical. Neste momento limita-se a vender êxitos.

1)Será que a Fnac resiste por conseguir equilibrar bem a balança entre livros,discos,jogos,filmes,material Hi-Fi? Ou será que irá, também, um dia cair?

2)Virgin e Tower Records existem mas praticamente só no online. Será esta a solução?

3)As pequenas lojas de discos, mais orientadas para públicos alvo econhecedores estão a voltar a emergir, estaremos a dar a volta? Aproximar a loja e o seu vendedor do cliente?

Estas são perguntas que ficam no ar.

04 maio 2009

Yeah Yeah Yeahs - It's Blitz (2009)

Lançado recentemente, o terceiro álbum dos Yeah Yeah Yeahs, "It's Blitz" deixa algumas incertezas no ar. E digo incertezas por não conseguir perceber bem o público a atingir por este novo álbum. Para mim os Yeah Yeah Yeahs sempre foram sinónimo de fortes guitarras, ritmo intenso, gritos histéricos e energia a rodos. Se é essa a ideia que têm também, irão sentir uma grande mudança de rumo, uma vez que há mais sintetizadores e menos guitarras na mistura e a energia contagiante de Karen O foi substituída por uma um registo mais morno e calmo. Será com o objectivo de se aproximar do mainstream? Talvez. Acho que foi chegada a altura do grande dilema que todas as bandas passam, em determinado momento da sua carreira, que é o "Continuamos a fazer mais do mesmo ou experimentamos algo diferente?". Diria que o álbum é interessante, mas pessoalmente prefiro os Yeah Yeah Yeahs cheios de intensidade que se encontra no primeiro álbum, "Fever to Tell".

De destacar neste "It's Blitz" as duas primeiras músicas, "Zero" e "Heads Will Roll", que podem ouvir no video abaixo (ao vivo no Jools Holland). "Zero" foi o primeiro single lançado e penso que serve bem de demonstração ao que a banda vem, enquanto que "Heads Will Roll" leva ao extremo a substituição do sintetizador pela guitarra mas que resulta numa interessante combinação que puxa pelo movimento do corpo.

Penso que também é importante realçar a contribuição de Dave Sitek (Tv on the Radio) como produtor do álbum.


Enjoy!

Altamont News

Este post é em parte dedicado ao Pete, depois do artigo sobre a re-edição do Ten e a questão que se levantou sobre a integridade dos artistas vs. marketing. E ainda sobre Pearl Jam, que agora sim me parece terem entornado o caldo e se terem entregues às mãos do marketing e do dinheiro fácil. Aqui fica a notícia:

"Trechos de 16 músicas do Pearl Jam serão usados nos dois episódios que marcam o encerramento da série norte-americana Cold Case. Os últimos capítulos do seriado serão transmitidos pela rede de TV CBS nos dias 03 e 10 de maio."

Completamente desnecessário, diria eu. Deixa-me muito decepcionado como fã, esta entrega do ouro ao bandido. Sem mais comentários...