Aqui fica:
26 fevereiro 2009
Gosto de Metal e depois?
Antes de me trucidarem como fizeram com o Raul quando ele disse que gostava de "no wave", fiquem sabendo que gosto de Metal. A minha última descoberta foram os Goblin Cock. Esta banda é bestial, fazem lembrar os saudosos Black Sabbath mas com mais palhaçada à mistura.
Quarteto 1111
O artista José Cid sempre foi capaz do melhor e do pior.

Depois de ficar enojado com a nudez do cantor, fiquei maravilhado com a sonoridade dos Quarteto 1111. Esta banda foi das mais inovadoras em Portugal. Aqui fica o pior e o melhor do artista português:

24 fevereiro 2009
O que significa não relacionado?
E porque não quero que fiquem com a ideia de que sou constituído exclusivamente por azedume, aqui vai uma sugestão de uma banda rock indie pop punk torta que muito aprecio, embora a ouça apenas de três em três meses.
22 fevereiro 2009
Retro
Em vários posts aqui neste blog tenho-me deparado com redescobertas de bandas dos anos 60 e 70, positivamente descritas como progressistas ou de vanguarda. A maioria desses grupos, trazidos essencialmente pelo Frederico Mustarda, eram desconhecidos na sua altura, excepto talvez por uma minoria, mas podemos afirmar que os nossos pais não faziam ideia de quem se tratavam. Na sua altura o incómodo que provocavam manteve-os na obscuridade, mas hoje há uma vontade de os ressuscitar.
A onda de revivalismo que hoje se vive, quer na moda, quer na música, é algo preocupante. Alguns cineastas também a exploram, como o Tarantino, descaradamente com o Death Proof.
Não tenho nada contra, à partida, e a verdade é que me deu bastante gozo ver este filme, saídinho dos anos setenta, jurariam alguns. Mas se por um lado o Tarantino não é um tipo de autor que busca o sublime, aceitando com um sorriso perverso nos lábios a limitação que copiar o universo dos setenta enceta, por outro, duvido que queira ficar conhecido na história do cinema como o fotocopiador infernal do Tenessee.
Mas faz-me pensar: qual a razão de tamanho retrocesso? O que leva uma banda do século XXI a, em vez de explorar novos universos, virar-se para um já esgotado décadas antes?
Deixo aqui uma citação do Gogol Bordello, para reflexão:
"...making new identities for music. And the possibilities are fucking endless. There's no time for fucking revivalism. There's only time to move forward. There's no time for soft core. You gotta get fucking hardcore."
A onda de revivalismo que hoje se vive, quer na moda, quer na música, é algo preocupante. Alguns cineastas também a exploram, como o Tarantino, descaradamente com o Death Proof.
Não tenho nada contra, à partida, e a verdade é que me deu bastante gozo ver este filme, saídinho dos anos setenta, jurariam alguns. Mas se por um lado o Tarantino não é um tipo de autor que busca o sublime, aceitando com um sorriso perverso nos lábios a limitação que copiar o universo dos setenta enceta, por outro, duvido que queira ficar conhecido na história do cinema como o fotocopiador infernal do Tenessee.
Mas faz-me pensar: qual a razão de tamanho retrocesso? O que leva uma banda do século XXI a, em vez de explorar novos universos, virar-se para um já esgotado décadas antes?
Deixo aqui uma citação do Gogol Bordello, para reflexão:
"...making new identities for music. And the possibilities are fucking endless. There's no time for fucking revivalism. There's only time to move forward. There's no time for soft core. You gotta get fucking hardcore."
19 fevereiro 2009
Relacionado #8
Crystal Antlers - Parting Song for the Torn Sky
Crystal Antlers [EP] - 2008
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Soundtrack #2
E que tal uma banda muito recente mas que parece ter viajado numa máquina do tempo dos anos 70 e apareceu em 2008? Aqui vos deixo a excelente "Kissing the Beehive" dos Wolf Parade.
Enjoy!
Enjoy!
( )
escrevo umas linhas para falar sobre ouvir música na cidade. e música para ouvir na cidade.
há música que soa melhor ouvida na cidade. pelo menos falo por mim - há músicas que me soam melhor se ouvidas na cidade. e ao dizer cidade digo Lisboa (que é por onde ando a maior parte do tempo). nos últimos meses, várias foram as vezes que dei por mim a andar de carro por Lisboa, não nas horas de ponta, a andar calmamente a 30 km/h e a ver as vistas.
e nesses passeios, a várias horas do dia, em várias alturas do ano, vou acompanhado de certas músicas, que quase só ouço na cidade. também as ouço no campo, mas não me soam tão bem. é como beber uma imperial numa esplanada no verão, e beber uma imperial no inverno – as duas sabem bem, mas uma melhor que outra.
isto para dizer que, ultimamente, o que tenho ouvido com insistência nessas incursões na cidade e que está na galeria da músicacidade é o Intimacy dos Bloc Party, e o Sawdust, dos Killers.
ainda há pouco, vinha por Lisboa, e estava a pensar exactamente nisso da música-que-vai-melhor-na-cidade-do-que-no-campo-ou-na-praia... e concluo que há uma distinção, pelo menos na minha cabeça.
(os critérios que me levam a fazer essa distinção são bastante voláteis, conforme o estado-espírito).
e digo que concluo porque também há música que me soa melhor no campo. pelo menos em Sintra (que é também por onde ando mais tempo), onde o ritmo é tão menos frenético do que na grande alface.
neste caso, o que melhor me tem soado ultimamente, para ouvir a 30 km/h em Sintra, é Sean Riley & The SlowRiders.
isto tudo para perguntar - Haverá música para ser ouvida na cidade, e música para ser ouvida sem ser na cidade?
sim, não, talvez.
pra mim, sim. e gosto disto, principalmente porque estes conceitos que estão sempre em movimento, há sempre coisas diferentes a entrar e sair na minha definição de música cidade. e gosto dessa mutabilidade.
e pronto, era só isto.
…paz…
17 fevereiro 2009
Relacionado #7
Deep Purple - And the Address
Shades of Deep Purple (1968)
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16 fevereiro 2009
Oasis@Pavilhão Atlântico - 15/02/2009
Começamos, e bem, com o concerto de hoje dos lendários Oasis, no Pavilhão Atlântico. Não estava cheio, sendo que os concertos não se medem pela quantidade de gente. O público reagiu bastante, mas mais aos clássicos, como seria natural.
Em termos de som - a perene questão dos espectáculos musicais no Atlântico -, a bola de som dos Oasis adaptou-se bastante bem à bola de som que o próprio pavilhão tem tendência a criar. Dito isto, a música não sofreu por aí além, mesmo a meio do recinto.
Os Oasis estão parados na maior parte do tempo e deixam o movimento em palco por conta dos ecrãs de vídeo, que misturavam imagens em directo do concerto, incluindo o público, com desenhos semelhantes ao artwork do último disco, Dig Out Your Soul.
Com pontualidade britânica, os Oasis começaram o concerto poucos minutos depois da hora de início: 21 horas. Para quem sabia que não podia chegar atrasado, a minha suspeita confirmou-se. Às 22h10, chegou o único encore. Os concertos não se medem por quantidade de encores - esta é uma banda que sabe disso e não ignora esse facto. Mas todos têm pelo menos um, e foi o que os Oasis nos deram: o da praxe. Tocaram depois mais umas 4 canções, acabando o concerto perto de 1h45 de duração.
A banda escolheu uma quantidade equilibrada entre o novo material e o anterior catálogo. Tocaram muitas das canções que levaram a maioria das pessoas ao concerto, mas também mostraram outras não tão familiares. Que era o esperado.
Também como seria de esperar, o Liam é arrogante, desligado e parece, passe a vulgaridade, uma besta. Já o mano mais velho foi afável e caloroso, postura que vem adoptando de há uns 10 anos para cá. Portanto, tivemos o Noel dos últimos tempos. Mais uma vez, a interacção com o público não faz o concerto; contudo quando falamos de um conjunto de canções que, na sua maioria, apenas exige que se mudem dois dedos a cada acorde na guitarra, isso ajuda.
Para quem gosta desse tipo de coisas, fazemos aqui um breve levantamento do que foi dito pelos irmãos Gallagher. Primeiro, quando o Liam perguntou «Anyone here from England?», descobrimos que a percentagem de ingleses no pavilhão rondava os 70%; depois, que lhe apetecia mandar a pandeireta à cabeça de umas quantas pessoas ali presentes. Foi ele que disse. Já o Noel foi dizendo bem do público e aplaudindo de volta com frequência, e chegou a ter uma amorosa interacção (não confundir com interacção amorosa): «... You love me? ... Aw thanks, I love you too!», suficientemente caloroso para ser sincero. Mas os melhores momentos de interacção da noite foram o vigoroso acompanhamento do público à versão acústica e praticamente a solo - pelo Noel, claro - de Don't Look Back In Anger; e quando o Noel fez o inevitável e se pôs a falar de futebol: «Can I ask you a favour? If you ever see José Mourinho, alright? Can you ask him please to come back to England? And tell him from me that I fokkin' love him! And he has to become the new manager of Manchester City.»
No que toca ao alinhamento, o início foi Rock n' Roll 101. Ou seja, como indicam as primeiras lições dos concertos, pede-se que se comece a rockar. No caso dos Oasis, isso passa das 3 canções do costume a 6, com Fuckin' In The Bushes, Rock n' Roll Star, Lyla, Cigarettes and Alcohol, The Shock of The Lightning, The Meaning of Soul e To Be Where There's Life, onde as novas músicas foram as mais interessantes para mim, mas mais as velhas aparentemente mais interessantes para o público. Depois, o Liam saiu de palco e deixou os deveres de vocalista para o irmão mais velho para a excelente Waiting For The Rapture e The Masterplan, sem dúvida uma das favoritas da noite.
O concerto continuou com Songbird, Slide Away, Morning Glory, Ain't Got Nothing, The Importance of Being Idle, I'm Outta Time, Wonderwall e Supersonic. O encore teve 4 canções, com a já referida Don't Look Back In Anger, as excelentes Falling Down e Champagne Supernova e, para finalizar (talvez a única grande surpresa da noite, pelo menos para mim), uma cover de I Am The Walrus, que não serviu mal quem ouviu.
O melhor e o pior que se pode dizer do concerto é que foi exactamente aquilo que se estava à espera. São pachorrentos, por vezes dão aquele ar fleumático de quem se está nas tintas (no caso do Liam, sempre), apesar do Noel ser evidentemente um gajo porreiro, tocaram o que se esperava, durante o tempo standard. Mas, quando se fala de uma banda como os Oasis, isso é bastante bom.
13 fevereiro 2009
Led Zeppelin
Hoje em dia as coisas buscam-se de forma completamente diferente, mas, no meu tempo, em que a rudimentar internet servia essencialmente para engatar morconas no mirc, e uma vez que os meus pais gostam tanto de música como eu de levar pontapés nos tomates, era a exploração de uma determinada banda e dos seus interesses que me linkava para outras, nomeadamente aquelas do passado.
Foi assim que, através dos Nirvana, a minha banda preferida da adolescência (sem surpresas), ouvi falar de Sonic Youth, Melvins, Mudhoney, e também de The Velvet Underground, The Who, Neil Young, The Vaselines e... Led Zepellin.
Já não sei a que propósito é que o Cobain me haveria de os ter sussurado, mas a verdade é que o fez. Se não directamente, através de um daqueles livros que discutiam a sua morte (suicídio? homicídio?) e que a malta púbere corria a comprar como se fossem gomas.
Pouco depois, tinha alguns discos deles em casa, a maioria trazidos pelo meu irmão, e desde esses tempos (refiro-me portanto há uns 12 anos atrás) que ando a tentar papar esta banda.
Mas, lá vou eu aborrecer alguns ou suscitar risotas a outros, tomei finalmente uma decisão: Led Zepellin é um travesti histérico que se por ele passassemos na rua enxotavamo-lo à biqueirada e ao pedregulho.
A voz do Robert Plant é-me tolerável só em estado ébrio ou se tiver de decidir entre ele e um bar de karaoke. Coloco-os ao mesmo nível dos Bon Jovi, no entanto, se por uma lado acho que o Jon é mais bonito que o Robert, por outro o cabelo do britânico está sempre com aparência mais vivaça que o do outro.
Perdoem-me, mas ontem tive de dizer isto ao meu irmão, enquanto lhe enfiava o iPod na retrete, e hoje confesso-me a vós, de uma vez por todas, esperando que, como eu, saiam dos armários todos aqueles que também acham que Led Zeppelin é das bandas mais gays de sempre e se o Stairway To Heaven não é um hino à fornicação anal entre dois (ou mais) homens, Beethoven era um pensador socialista.
Foi assim que, através dos Nirvana, a minha banda preferida da adolescência (sem surpresas), ouvi falar de Sonic Youth, Melvins, Mudhoney, e também de The Velvet Underground, The Who, Neil Young, The Vaselines e... Led Zepellin.
Já não sei a que propósito é que o Cobain me haveria de os ter sussurado, mas a verdade é que o fez. Se não directamente, através de um daqueles livros que discutiam a sua morte (suicídio? homicídio?) e que a malta púbere corria a comprar como se fossem gomas.
Pouco depois, tinha alguns discos deles em casa, a maioria trazidos pelo meu irmão, e desde esses tempos (refiro-me portanto há uns 12 anos atrás) que ando a tentar papar esta banda.
Mas, lá vou eu aborrecer alguns ou suscitar risotas a outros, tomei finalmente uma decisão: Led Zepellin é um travesti histérico que se por ele passassemos na rua enxotavamo-lo à biqueirada e ao pedregulho.
A voz do Robert Plant é-me tolerável só em estado ébrio ou se tiver de decidir entre ele e um bar de karaoke. Coloco-os ao mesmo nível dos Bon Jovi, no entanto, se por uma lado acho que o Jon é mais bonito que o Robert, por outro o cabelo do britânico está sempre com aparência mais vivaça que o do outro.
Perdoem-me, mas ontem tive de dizer isto ao meu irmão, enquanto lhe enfiava o iPod na retrete, e hoje confesso-me a vós, de uma vez por todas, esperando que, como eu, saiam dos armários todos aqueles que também acham que Led Zeppelin é das bandas mais gays de sempre e se o Stairway To Heaven não é um hino à fornicação anal entre dois (ou mais) homens, Beethoven era um pensador socialista.
11 fevereiro 2009
AC/DC

A banda australiana regressa a Portugal 13 anos depois para felicidade dos que apontam o indicador e mindinho ao céu (franja na qual me incluo... é algo instintivo) e sacodem os cabelos ao som dos riffs mais emblemáticos da história do Rock and Roll. Segundo avança o Correio da Manhã, o grupo liderado pelos manos Young (Angus e Malcolm) sobe ao palco no Alvalade XXI a 3 de Junho em plena digressão de promoção do último álbum (Black Ice), um trabalho que os apresentou às gerações do novo milénio como uma das referências do R&R e os resgatou do limbo em que se encontravam desde Stiff Upper Lip (2000).
10 fevereiro 2009
Será isto música? #2
Podemos considerar os Anal Cunt, em português C+na Anal, como outros provocadores? A sua sonoridade não é também um pontapé nos tomates da industria musical?
Segundo a lógica do Raul, acho que sim.
Wolfmother

O futuro dos "Wolfmother" está envolto num manto de dúvidas: Chris Ross (baixista e teclista) e Myles Heskett (baterista) abandonaram o grupo australiano por "diferenças irreconciliáveis" com Andrew Stockdale (vocalista e guitarrista) que já arranjou substitutos para os lugares vazios. O "frontman" actuou, recentemente, com os novos companheiros num pequeno concerto sob o nome "White Feather" apenas para despistar e retirar pressão: a designação "Wolfmother" deve continuar doravante.
Estes é o dia-a-dia dos Wolfmother, banda que não edita um álbum (Wolfmother) desde 2005 (o único, aliás), álbum esse que os trouxe para a ribalta como uns dos múltiplos protagonistas do movimento revivalista do rock feito nos 70's. Recordo-me de uma crítica feita por Mike Patton, vocalista de grupos tão icónicos como os Faith No More e Phantom, o qual se referiu aos Wolfmother como meros reprodutores de música anteriormente feita. Ou seja, imitadores. Concordo com o progressista Patton mas não deixo de ficar feliz com esta onda neo-psychedelic-hard-rock do qual os Wolfmother parecem fazer parte.
Isto, porque prefiro bandas inspiradas por Led Zeppelin, Pink Floyd, AC/DC e que as tenham como referências em detrimento de alguns "one-hit wonders" dos 80's. Para já, a longa carreira dos ídolos permite-lhes sustentar a música que agora reproduzem, com outras bases e ideias que, embora não originais, podem (e devem) ser recriadas.
Neste contexto, gosto do álbum dos Wolfmother, onde a influência de Black Sabbath, AC/DC e Led Zeppelin é por demais evidente tanto na voz como na instrumentalização. As canções "Woman" e "Dimension" são extraordinariamente viciantes pelas guitarradas estridentes (1.ª) e riffs em escala (2.ª) - Stockdale revisita Robert Plant e Ozzy Osbourne em ambas.
O problema, parece-me, foi não terem conseguido focalizar-se numa só ideia de álbum. Quiseram-no fazer o mais abrangente possível e tocar em todas as folhas que compõem o leque de opções providenciado pelo "rock". Há aproximações ao punk, por exemplo na Apple Tree, que não se encaixam no fio condutor do trabalho destes australianos. Outros momentos, mais melancólicos, fogem, igualmente, ao ADN do álbum que, a espaços, parece perder a identidade. Apesar de tudo, consumido como um todo, Wolfmother é bom e traz-nos de volta muitas das boas coisas que se fizeram nos 70's.
Relacionado #5
Led Zeppelin - When The Levee Breaks
Led Zeppelin IV (1971)
Led Zeppelin IV (1971)
uma música no ar...
Pessoal,
Queria deixar-vos aqui um convite a virem assistir à próxima sessão "uma música no ar..."!
E do que se trata estas sessões "uma música no ar..."? Trata-se de alguém (de certeza insano) me deixar controlar o som do Bar do Bairro durante uma noite, coisa que normalmente acontece uma vez por mês. E a próxima é este sábado, dia 14. Sei que é dia dos Namorados, e lancei no meu blog pessoal um repto em relação a isso. Se quiserem perceber melhor que tipo de som costuma rodar, deixo-vos um link com as setlists de sessões passadas. Podem também optar por não ver nada e ir à descoberta....
Enjoy!
Oasis

A banda britânica de Manchester apresenta-se, este dia 15 de Fevereiro, pela quarta vez, em Portugal, desta feita no Pavilhão Atlântico, depois de Praça Sony (2000), Sudoeste (2000 e 2005).
O regresso aguardado do conjunto problemático e sempre controverso vem na sequência do seu mais recente disco, Dig Out Your Soul, registo mais psicadélico que os anteriores, que contêm já três singles no mercado: "The Shock of the Lightning", "I'm Outta Time" e "Falling Down".
A primeira parte está a cabo da banda Free Peace, trio de Liverpool, influenciado por bandas como os Led Zeppelin.
Preços dos bilhetes:
Balcão 2 28,00€
Rampa 28,00€
Plateia 32,00€
Balcão 1 40,00€
09 fevereiro 2009
Será isto música?
A discussão pode começar ...
Well it was 15 years ago today...
Foi há 15 anos que os nirvana tocaram em Portugal.
Não quero repetir a "lenga lenga" da importância dos Nirvana, visto que, estamos cansados de saber da importância dos "garotos" de Seattle.
No entanto, gostaria que não ficasse impune, o trabalho medíocre dos jornalistas da Sic que apelidaram os Nirvana de "barulho" .
Não tenho dúvidas, o nosso jornalismo televisivo sempre andou pelas ruas da amargura:
Cage - 4'33''
É necessário reflectir um pouco para entender esta composição.
A reacção mais imediata, claro, é rir e afirmar, cegamente, que estamos perante um... nada. Um vazio pretensioso, como o Vasco grunhe, assim como alguns jornalistas mais opacos quando referem o aniversário deste compositor, por exemplo, ou nos comentários surpreendentemente agressivos que vemos no link que o nosso curioso colega de blog referiu. Mas, uma vez mais, em vez de saltar para conclusões precipitadas, proponho apenas que paremos, e que reflictamos um pouco.
quatro minutos e trinta e três de ...silêncio, para os mais desprevenidos. Mas... façam o seguinte pergunta: o silêncio absoluto existe?
Esta história é muito famosa, mas para quem não sabe, aqui a exponho.
John Cage colocou essa mesma hipótese: o silêncio pode existir? Para a tentar testar, com a colaboração de uma Universidade de Harvard, fechou-se dentro de uma câmera anacóica (um espaço 100% à prova de som) e tentou... não ouvir.
Mas não conseguiu.
Dois sons o perturbaram, um grave e um agudo. Ao descrevê-los aos engenheiros e médicos que acompanhavam a experiência, estes concluíram que eram os sons do seu sistema circulatório e nervoso, respectivamente.
Fascinado com esta ideia da impossibilidade do silêncio, Cage preparou a composição 4'33'', em que há orquestra e público, mas não há certamente silêncio. A composição não é então vazia, mas sim preenchida pelos diversos sons do público, pelas suas reacções, pelo seu desconforto, o tossir de uma velha, o roer de unhas dum aristocrata, o dobrar de uma pauta. É uma composição aleatória, fruto do inesperado, dos ruídos do acaso.
Anos mais tarde, Christian Wolff deu um concerto de piano com uma janela aberta, por onde era audível o barulho da rua, do vento, dos carros. No final, um espectador perguntou-lhe: importa-se de tocar de novo, mas desta vez com a janela fechada? Wolff respondeu: com todo o prazer, mas dessa maneira não vai conseguir ouvir a composição.
Os comentários ao vídeo YouTube do link acima referido são um paradigma por si só dos limites que as pessoas colocam na sua percepção do mundo. E estão relacionados com as catalogações de música aqui tantas vezes discutido (pop, indie, experimental, blablabla). Como exemplo, o comentador que disse This is no music. Music has to come from instruments. O que dirá este senhor dos Sonic Youth (para dar um exemplo pop) bem conhecidos por usarem de vez em quando chaves de fendas como instrumentos? Não fazem eles música só porque as chaves de fendas não são consideradas tradicionalmente como instrumentos musicais? Ridículo, pois.
Impôr cercas à percepção do mundo é um erro e se o único contributo do John Cage para a música actual fosse a destruição das mesmas, seria já imenso. Mas, se na música pop este compositor pode não ter muito peso, certamente que a nível filosófico e artístico está presente de uma maneira indubitável, influenciando todas as gerações de compositores contemporâneos que se lhe seguiram.
O Vasco chama-lhe, com espuma nos cantos dos lábios e sangue a raiar nos olhos, de um provocador. E qual o mal em se ser um provocador? Não foi isso que Sócrates (o filósofo, não o estadista) foi? Qual o mal em estimular o pensamento das pessoas? Em provocar sensações, questões, dúvidas, confrontações?
Mal é dos que se não permitem estimular, descansando ininterruptamente no conforto amniótico emparedado da cultura pop.
Vou transcrever um comentário de alguém que ficou muito incomodado com a descoberta de John Cage:
Brainless dilettantes! This isn't music. It's disgusting how these minimalist movements try to redefine music and art, but ironically, manage to only recede it further into an archaic and undistinguished practice of cavemen and toddlers. Music and art are human pursuits, and should reflect the complexity of perception. This is nothing.
Segundo esta lógica evolucionista, Bach é inferior a Take That.
Enfim, só encontro uma razão para tanto fel: não se fazer o esforço de compreender a beleza da percepção dos sons banais e aleatórios. Nunca deram por vocês em casa no meio do silêncio de uma insónia fascinados com o ruído de uma fissura que se expande na parede ou duma tábua que range por debaixo das mandíbulas de um insecto ou do vapor de água que se liberta do pavimento lá fora? That is not nothing.
A reacção mais imediata, claro, é rir e afirmar, cegamente, que estamos perante um... nada. Um vazio pretensioso, como o Vasco grunhe, assim como alguns jornalistas mais opacos quando referem o aniversário deste compositor, por exemplo, ou nos comentários surpreendentemente agressivos que vemos no link que o nosso curioso colega de blog referiu. Mas, uma vez mais, em vez de saltar para conclusões precipitadas, proponho apenas que paremos, e que reflictamos um pouco.
quatro minutos e trinta e três de ...silêncio, para os mais desprevenidos. Mas... façam o seguinte pergunta: o silêncio absoluto existe?
Esta história é muito famosa, mas para quem não sabe, aqui a exponho.
John Cage colocou essa mesma hipótese: o silêncio pode existir? Para a tentar testar, com a colaboração de uma Universidade de Harvard, fechou-se dentro de uma câmera anacóica (um espaço 100% à prova de som) e tentou... não ouvir.
Mas não conseguiu.
Dois sons o perturbaram, um grave e um agudo. Ao descrevê-los aos engenheiros e médicos que acompanhavam a experiência, estes concluíram que eram os sons do seu sistema circulatório e nervoso, respectivamente.
Fascinado com esta ideia da impossibilidade do silêncio, Cage preparou a composição 4'33'', em que há orquestra e público, mas não há certamente silêncio. A composição não é então vazia, mas sim preenchida pelos diversos sons do público, pelas suas reacções, pelo seu desconforto, o tossir de uma velha, o roer de unhas dum aristocrata, o dobrar de uma pauta. É uma composição aleatória, fruto do inesperado, dos ruídos do acaso.
Anos mais tarde, Christian Wolff deu um concerto de piano com uma janela aberta, por onde era audível o barulho da rua, do vento, dos carros. No final, um espectador perguntou-lhe: importa-se de tocar de novo, mas desta vez com a janela fechada? Wolff respondeu: com todo o prazer, mas dessa maneira não vai conseguir ouvir a composição.
Os comentários ao vídeo YouTube do link acima referido são um paradigma por si só dos limites que as pessoas colocam na sua percepção do mundo. E estão relacionados com as catalogações de música aqui tantas vezes discutido (pop, indie, experimental, blablabla). Como exemplo, o comentador que disse This is no music. Music has to come from instruments. O que dirá este senhor dos Sonic Youth (para dar um exemplo pop) bem conhecidos por usarem de vez em quando chaves de fendas como instrumentos? Não fazem eles música só porque as chaves de fendas não são consideradas tradicionalmente como instrumentos musicais? Ridículo, pois.
Impôr cercas à percepção do mundo é um erro e se o único contributo do John Cage para a música actual fosse a destruição das mesmas, seria já imenso. Mas, se na música pop este compositor pode não ter muito peso, certamente que a nível filosófico e artístico está presente de uma maneira indubitável, influenciando todas as gerações de compositores contemporâneos que se lhe seguiram.
O Vasco chama-lhe, com espuma nos cantos dos lábios e sangue a raiar nos olhos, de um provocador. E qual o mal em se ser um provocador? Não foi isso que Sócrates (o filósofo, não o estadista) foi? Qual o mal em estimular o pensamento das pessoas? Em provocar sensações, questões, dúvidas, confrontações?
Mal é dos que se não permitem estimular, descansando ininterruptamente no conforto amniótico emparedado da cultura pop.
Vou transcrever um comentário de alguém que ficou muito incomodado com a descoberta de John Cage:
Brainless dilettantes! This isn't music. It's disgusting how these minimalist movements try to redefine music and art, but ironically, manage to only recede it further into an archaic and undistinguished practice of cavemen and toddlers. Music and art are human pursuits, and should reflect the complexity of perception. This is nothing.
Segundo esta lógica evolucionista, Bach é inferior a Take That.
Enfim, só encontro uma razão para tanto fel: não se fazer o esforço de compreender a beleza da percepção dos sons banais e aleatórios. Nunca deram por vocês em casa no meio do silêncio de uma insónia fascinados com o ruído de uma fissura que se expande na parede ou duma tábua que range por debaixo das mandíbulas de um insecto ou do vapor de água que se liberta do pavimento lá fora? That is not nothing.
08 fevereiro 2009
Aleatoriedade
O que é música?
A resposta a esta pergunta define o tipo de ouvinte e tudo depende da maneira como se olha para, por exemplo, um quadro: se apenas dirigimos o olhar para, digamos, o sorriso da Mona Lisa, ou se damos um passo atrás e contemplamos o vestido, as mãos, a paisagem por detrás. Uma das minha actividades preferidas é reparar na paisagem por detrás, ampliar o desconhecido, o aparentemente pouco importante.
Não há nada mais estimulante para a percepção do que é a música do que estudar John Cage, e todas as suas estupendas ramificações. Não me consigo lembrar de um artista mais influente do que este, em todas as áreas.
A resposta a esta pergunta define o tipo de ouvinte e tudo depende da maneira como se olha para, por exemplo, um quadro: se apenas dirigimos o olhar para, digamos, o sorriso da Mona Lisa, ou se damos um passo atrás e contemplamos o vestido, as mãos, a paisagem por detrás. Uma das minha actividades preferidas é reparar na paisagem por detrás, ampliar o desconhecido, o aparentemente pouco importante.
Não há nada mais estimulante para a percepção do que é a música do que estudar John Cage, e todas as suas estupendas ramificações. Não me consigo lembrar de um artista mais influente do que este, em todas as áreas.
06 fevereiro 2009
Relacionado #4
The West Coast Pop Art Experimental Band - Suppose They Give a War and No One Comes
Part One (1967)
Part One (1967)
05 fevereiro 2009
Stereo Alligator

Nascidos das cinzas dos Lisamona, banda que, estranhamente, acabou por não ter o sucesso devido, chega-nos Stereo Alligator. O duo nacional, composto por Miguel C e Jorge Nuno, edita o seu primeiro EP em meados de Junho. Tal como no seu anterior projecto, a banda tem como influências o pop/rock alternativo dos anos 80, no entanto vão também buscar sonoridades aos anos sessenta.
O EP, a sair em Junho, contém 5 faixas, tendo estas sido gravadas no estúdio de Paco Loco, em Puerto de Santa Maria em Espanha, misturado em Nova Iorque, por Alex Newport e, finalmente, masterizado por Steve Fallone.
Um projecto a estar atento.
O EP, a sair em Junho, contém 5 faixas, tendo estas sido gravadas no estúdio de Paco Loco, em Puerto de Santa Maria em Espanha, misturado em Nova Iorque, por Alex Newport e, finalmente, masterizado por Steve Fallone.
Um projecto a estar atento.
04 fevereiro 2009
Videoclip: "Falling Down" - Oasis
"Falling Down" é o terceiro single retirado do álbum "Dig Your Soul" dos Oasis.
Com uma batida a roçar a electrónica, a lembrar as antigas parcerias da banda com os Chemicall Brothers, é mais uma demonstração dos valiosos atributos vocais e instrumentais do eterno líder da banda, Noel Gallagher.
Deixo-vos o videoclip, que é, na minha opinião, uma crítica ao regime monárquico dos Ingleses. Nas palavras dos Sex Pistols, "God Save The Queen. The Fascist Regime"
Os Oasis não são os Beatles, no entanto, são os que estão mais próximos.
03 fevereiro 2009
A História do Rock segundo...Jack Black
O cineasta independente Richard Linklater, responsável por filmes como Before Sunset e Before Sunrise, supreendeu tudo e todos ao realizar "School Of Rock" (2003).
Como pode um realizador indie dirigir um filme tão patusco sobre um bando de garotos com gosto pela música Rock?
Segundo consta, o rapaz precisava de trocos para um projecto independente, por isso, alinhou nesta macacada.
No entanto, "School Of Rock" está longe de ser mais outro filme acéfalo ao género de Rob Schneider ou Steve Allen.
Linklater, criou uma obra de entretenimento puro, ou seja, o equivalente cinematográfico a um belo bife com batatas fritas e ovo a cavalo.
O sucesso do filme deve-se a Jack Black, o vocalista, segundo o próprio, da melhor banda do mundo os "Tenacious D", e à banda sonora escolhida pelo consultor musical do filme, Jim ORourke.
ORourke, que produziu bandas como os Sonic Youth (Raul, estás aí?), incluiu na banda sonora alguns dos maiores astros do rock como Led Zeppelin, AcDc, Doors ou Ramones.
Em baixo, um momento memorável do filme, a famosa aula de Jack Black de "Rock Appreciation".
Raul, copia este quadro para o papel...
Para o meu amigo Raul
Sonic Youth "sodomizam" a Madonna com "into the groove".
Para que ele nunca caia na tentação de desprezar a música pop da britney ou madonna.
Sobre Um Rapaz
"About A Son" (2006) é um documentário impressionista sobre Kurt Cobain, feito com relatos áudio do próprio, captados um ano antes do seu suicídio em 1994.
Como pano de fundo, o realizador escolheu imagens captadas em alta definição da cidade de Seattle, a terra natal de Cobain, situada no estado de Washington.
Apesar de ser um documentário esteticamente impressionante, considero que os relatos duros sobre as vivências atribuladas do músico são demasiado redutores.
O maior contributo de Cobain, foi, sem dúvida, a sua música, e isso ouve-se pouco.
No entanto, gostaria de salientar, o trabalho de fotografia e as composições de Bruce Springsteen que encaixam na perfeição na atmosfera cinzenta de Seattle.
Tal com tinha acontecido em Last Days de Gus Van Sant, um realizador que admiro, não devemos julgar ninguém apenas pelos momentos que antecederam a sua morte.
Hawkwind

Premissa: estes tipos são loucos. O nome da banda, Hawkwind, deriva de umas práticas escatológicas do flautista/saxofonista (Nik Turner) que fez parte do grupo original. Segundo rezam as crónicas, o bom do Nik, um londrino até bem-parecido, tinha a mania de pigarrear (hawking) e de - não há outra forma de dizê-lo - flatular-se profusamente (winding). Enfim, perde-se todo o encanto por um nome à partida bastante "cool". Mas que isto não nos faça perder a perspectiva e o respeito por um conjunto formado em 1969 e que se encontra ainda no activo.
A onda deles era, basicamente, psicadélica, temperada com (muitos) pozinhos estelares da ficção científica - o escritor sci-fi Michael Moorcock (o apelido é, igualmente, sugestivo) foi intenso colaborador e emprestou a sua voz a algumas músicas. Não vou discorrer sobre a extensa discografia dos Hawking, que chegaram a editar álbuns à razão de um por ano até meio dos 80's do século passado, ou sobre a composição do grupo (muito variável) e concertos (que incluíam dançarinas... exóticas). Vou, isso sim, dar a opinião sobre os álbuns aos quais tive acesso (cortesia do nosso incansável Mr. Mustard).
Experimentem ouvi-los à noite, no escuro. Foi o que fiz. O objectivo era adormecer ao som de uma banda desconhecida e evitar, assim, trautear as músicas para me perder no mundo onírico. Não cumpri a meta e só me lembro de isto ter acontecido quando, nos mesmo moldes, experimentei o Kid A dos Radiohead. A música dos Hawkwind está "way out there": fantástica - do substantivo fantasia-, louca, complexa, (a)variada, instrumental, sei lá que mais. Sabem aquele smile - : - que nos transmite incredulidade? Foi assim mesmo que fiquei. Aqui e ali, claro, sentimo-nos próximos dos Pink Floyd ou de outros seus contemporâneos, mas a loucura dos Hawkwind empurra-os para fora de qualquer formato mais tradicional. Os refrões ("catchy" em inglês; "orelhudos", convencionou-se chamar em Portugal) puramente não existem, as guitarras viajam com o vento e tu também.
Agora, tenho que experimentar ouvir isto à noite, mas ébrio.
A onda deles era, basicamente, psicadélica, temperada com (muitos) pozinhos estelares da ficção científica - o escritor sci-fi Michael Moorcock (o apelido é, igualmente, sugestivo) foi intenso colaborador e emprestou a sua voz a algumas músicas. Não vou discorrer sobre a extensa discografia dos Hawking, que chegaram a editar álbuns à razão de um por ano até meio dos 80's do século passado, ou sobre a composição do grupo (muito variável) e concertos (que incluíam dançarinas... exóticas). Vou, isso sim, dar a opinião sobre os álbuns aos quais tive acesso (cortesia do nosso incansável Mr. Mustard).
Experimentem ouvi-los à noite, no escuro. Foi o que fiz. O objectivo era adormecer ao som de uma banda desconhecida e evitar, assim, trautear as músicas para me perder no mundo onírico. Não cumpri a meta e só me lembro de isto ter acontecido quando, nos mesmo moldes, experimentei o Kid A dos Radiohead. A música dos Hawkwind está "way out there": fantástica - do substantivo fantasia-, louca, complexa, (a)variada, instrumental, sei lá que mais. Sabem aquele smile - : - que nos transmite incredulidade? Foi assim mesmo que fiquei. Aqui e ali, claro, sentimo-nos próximos dos Pink Floyd ou de outros seus contemporâneos, mas a loucura dos Hawkwind empurra-os para fora de qualquer formato mais tradicional. Os refrões ("catchy" em inglês; "orelhudos", convencionou-se chamar em Portugal) puramente não existem, as guitarras viajam com o vento e tu também.
Agora, tenho que experimentar ouvir isto à noite, mas ébrio.
Repto da Semana - pop music
Sei que alguns de vós não vão muito à bola com o meu cepticismo, mas eu coloco-me apenas na humilde posição do questionamento. Detesto dogmas, repudio verdades absolutas e assumo sempre que não sei o suficiente. Mas reflicto o suficiente para ir formando as minhas opiniões (que não passam disso mesmo, opiniões, mesmo que sustentadas em encadeamentos de informação).
Este repto é em parte inspirado por outros posts, que, do meu ponto de vista, fazem a música pop transcender-se para um nível que me parece, por vezes, exagerado.
Mas o que é música pop? Se formos à Wikipédia, parece simples: música com menos de 5 minutos, com geralmente dois guitarristas, um baixista, um baterista, teclista e um ou vários vocalistas, apresentando o mais das vezes um elemento rítmico relevante e uma estrutura tradicional (referem-se eles aqui ao compasso 4/4), constituídos por verso-refrão, em que este último contrasta ritmicamente e melodicamente com o primeiro.
É esta a fórmula que cativa as pessoas na época em que nos encontramos, seja ela aplicada pela Britney Spears ou pelos Kaiser Chiefs e, desta perspectiva, parece não haver grande distinção entre o que se ouve na RADAR ou na RADIO RENASCENÇA. Mas também sabemos, por exemplo, que o nosso genoma é extraordinariamente parecido ao dos ornitorrincos e que no entanto escrevemos em blogs e inventámos a caligrafia.
Ou seja, no fundo, o que vos pergunto é: colocam a música que é mais referida neste blog - aquela que, presumo, mais frequentemente ouvem, em casa, no carro ou em concertos - como sendo um subgrupo da música Pop ou nem por isso?
Este repto é em parte inspirado por outros posts, que, do meu ponto de vista, fazem a música pop transcender-se para um nível que me parece, por vezes, exagerado.
Mas o que é música pop? Se formos à Wikipédia, parece simples: música com menos de 5 minutos, com geralmente dois guitarristas, um baixista, um baterista, teclista e um ou vários vocalistas, apresentando o mais das vezes um elemento rítmico relevante e uma estrutura tradicional (referem-se eles aqui ao compasso 4/4), constituídos por verso-refrão, em que este último contrasta ritmicamente e melodicamente com o primeiro.
É esta a fórmula que cativa as pessoas na época em que nos encontramos, seja ela aplicada pela Britney Spears ou pelos Kaiser Chiefs e, desta perspectiva, parece não haver grande distinção entre o que se ouve na RADAR ou na RADIO RENASCENÇA. Mas também sabemos, por exemplo, que o nosso genoma é extraordinariamente parecido ao dos ornitorrincos e que no entanto escrevemos em blogs e inventámos a caligrafia.
Ou seja, no fundo, o que vos pergunto é: colocam a música que é mais referida neste blog - aquela que, presumo, mais frequentemente ouvem, em casa, no carro ou em concertos - como sendo um subgrupo da música Pop ou nem por isso?
02 fevereiro 2009
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A CONSAGRAÇÃO DO SEGUNDO ÁLBUM
Os Kaiser Chiefs acabaram de passar pelo nosso país, com dois memoráveis concertos no Porto (diz quem lá esteve) e em Lisboa (eu estive lá e por isso posso falar dele). Pela primeira vez no nosso país em nome próprio, depois de passagens pelos festivais Paredes de Coura, em 2005 e Rock in Rio, em 2008, o quinteto de Leeds mostrou ser uma das melhores bandas ao vivo do rock alternativo.
Ricky Wilson é um autêntico animal de palco - nesse aspecto só pede meças a Per Almqvist, vocalista dos The Hives - e a energia que transmitiu, com a ajuda dos seus colegas, foi suficiente para incendiar um Coliseu bem composto, ainda que não esgotado. Mas que os Kaiser Chiefs são uma grande banda ao vivo não constituiu novidade... Na minha opinião, a grande vitória da noite foi a confirmação de que o segundo álbum da banda afinal, é bastante bom. Muitos defendem que Yours Truly, Angry Mob não está à altura do álbum de estreia, Employment. Eu próprio pensei dessa forma durante algum tempo, mas depois de ouvir o disco com mais atenção cheguei à conclusão que se trata de um trabalho mais equilibrado que o primeiro, embora não tão genial. Não contém a euforia de singles como "I predict a Riot", "Everyday I love you less and less" e "Oh my God!", mas em traços gerais acaba por ser o mais equilibrado dos três discos da banda inglesa. E isso ficou comprovado na noite lisboeta, na forma eufórica como foram recebidos temas como "Everything is Average Nowadays", "Heat Dies Down", "Thank You Very Much" e, claro, o inevitável "Ruby". O terceiro disco, Off With Their Heads, ainda está muito fresco e por isso só o primeiro single, "Never Miss a Beat", foi acolhido com especial entusiasmo.
O público presente na nobre sala de espectáculos lisboeta era maioritariamente sub-20, mas também se viam muitas pessoas na casa dos 20 e alguns trintões. A uni-los, o gosto por uma boa banda, que não tem pretensões a ser considerada a melhor do mundo, mas que se apresenta em palco de forma honesta, para fazer a festa. Sempre regada com muito álcool, claro! Mas desta vez sem tornozelos partidos... Ah! E no final uma boa notícia: Ricky despediu-se dizendo "See you next Summer".
Ricky Wilson é um autêntico animal de palco - nesse aspecto só pede meças a Per Almqvist, vocalista dos The Hives - e a energia que transmitiu, com a ajuda dos seus colegas, foi suficiente para incendiar um Coliseu bem composto, ainda que não esgotado. Mas que os Kaiser Chiefs são uma grande banda ao vivo não constituiu novidade... Na minha opinião, a grande vitória da noite foi a confirmação de que o segundo álbum da banda afinal, é bastante bom. Muitos defendem que Yours Truly, Angry Mob não está à altura do álbum de estreia, Employment. Eu próprio pensei dessa forma durante algum tempo, mas depois de ouvir o disco com mais atenção cheguei à conclusão que se trata de um trabalho mais equilibrado que o primeiro, embora não tão genial. Não contém a euforia de singles como "I predict a Riot", "Everyday I love you less and less" e "Oh my God!", mas em traços gerais acaba por ser o mais equilibrado dos três discos da banda inglesa. E isso ficou comprovado na noite lisboeta, na forma eufórica como foram recebidos temas como "Everything is Average Nowadays", "Heat Dies Down", "Thank You Very Much" e, claro, o inevitável "Ruby". O terceiro disco, Off With Their Heads, ainda está muito fresco e por isso só o primeiro single, "Never Miss a Beat", foi acolhido com especial entusiasmo.
O público presente na nobre sala de espectáculos lisboeta era maioritariamente sub-20, mas também se viam muitas pessoas na casa dos 20 e alguns trintões. A uni-los, o gosto por uma boa banda, que não tem pretensões a ser considerada a melhor do mundo, mas que se apresenta em palco de forma honesta, para fazer a festa. Sempre regada com muito álcool, claro! Mas desta vez sem tornozelos partidos... Ah! E no final uma boa notícia: Ricky despediu-se dizendo "See you next Summer".
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Ainda sobre a música indie...
...encontrei este artigo interessante e esclarecedor.
Blokes who remember Meat Is Murder (and former riot grrrls, for that matter) grumble and groan when asked about today’s “indie” scene. From the early 1980s to the mid-1990s, the term was a rallying cry not merely for music released on independent British record labels such as Creation, Factory and Rough Trade, but for a DIY ethos and an awkward, oppositional attitude. Fey outsiders from Morrissey to Belle and Sebastian’s Stuart Murdoch, and fierce autodidacts from Mark E Smith to the masked men of Clinic, could rule their own roosts and connect with like-minded souls. Indie was then a way of life; now the word is applied, willy-nilly, to any two-bit guitar band in skinny jeans. Thus, indie has become a marketing category, empty of meaning. Critics call the interchangeably ho-hum tunes of the Kooks, the View, the Wombats, the Pigeon Detectives and their ilk “landfill indie”. How grateful, therefore, were grumpy middle-youths for Sheffield’s Arctic Monkeys, who cussedly signed for an independent label, in Domino, write great songs and cock a snook at the Establishment. Yorkshire, indeed, is a bastion of “proper” indie values, with labels such as Dance to the Radio and bands including the Cribs and Wild Beasts.
Blokes who remember Meat Is Murder (and former riot grrrls, for that matter) grumble and groan when asked about today’s “indie” scene. From the early 1980s to the mid-1990s, the term was a rallying cry not merely for music released on independent British record labels such as Creation, Factory and Rough Trade, but for a DIY ethos and an awkward, oppositional attitude. Fey outsiders from Morrissey to Belle and Sebastian’s Stuart Murdoch, and fierce autodidacts from Mark E Smith to the masked men of Clinic, could rule their own roosts and connect with like-minded souls. Indie was then a way of life; now the word is applied, willy-nilly, to any two-bit guitar band in skinny jeans. Thus, indie has become a marketing category, empty of meaning. Critics call the interchangeably ho-hum tunes of the Kooks, the View, the Wombats, the Pigeon Detectives and their ilk “landfill indie”. How grateful, therefore, were grumpy middle-youths for Sheffield’s Arctic Monkeys, who cussedly signed for an independent label, in Domino, write great songs and cock a snook at the Establishment. Yorkshire, indeed, is a bastion of “proper” indie values, with labels such as Dance to the Radio and bands including the Cribs and Wild Beasts.
Mogwai

Os escoceses Mogwai dão um concerto na Aula Magna no próximo dia 5 de Fevereiro (Quinta-Feira). O espectáculo está agendado para as 21h, sendo que as portas da sala se abrem às 20h.
Preços: 22 euros (anfiteatro); 30 (doutoral).
Preços: 22 euros (anfiteatro); 30 (doutoral).
I'm From Barcelona

I'm From Barcelona, banda sueca composta por cerca de 30 elementos, apresenta-se, dia 28 de Fevereiro, na discoteca Lux, em Lisboa.
O concerto vem inserido na tourné do seu mais recente disco Who Killed Harry Houdini?, lançado em Outubro de 2008.
Depois do concerto no festival da Zambujeira do Mar, a banda nórdica estreia-se na capital portuguesa. Um concerto a não perder.
O concerto vem inserido na tourné do seu mais recente disco Who Killed Harry Houdini?, lançado em Outubro de 2008.
Depois do concerto no festival da Zambujeira do Mar, a banda nórdica estreia-se na capital portuguesa. Um concerto a não perder.
(Bilhetes a 22€)
01 fevereiro 2009
Manel Cruz - Foge Foge Bandido (2008)
O Grande Artista português do nosso tempo reaparece em 2008, com um grande Álbum. Grande porque cada cd tem 40 músicas/faixas; porque os cds vêm numa caixa que é um livro, com 160 páginas; porque o produto final é uma obra grandiosa.
O duplo “O Amor dá-me tesão/Não fui eu que estraguei” traz de volta Manel Cruz – o artista mais completo da nossa praça. Completo, não só porque estica a sua arte a várias áreas (música, escrita, desenho…), mas porque o que faz em cada uma dessas áreas, fá-lo bem.
A sua arte faz-me lembrar o Portugal no início do século XX, a fase mais borbulhante e criativa da arte nacional. Aí, havia enorme quantidade de artistas de grande qualidade, o que facilitou o aparecimento de Movimentos e Correntes.
Hoje, quase 100 anos depois, o Manel Cruz apresenta-se como o maior artista nacional, no sentido mais lato de Artista criador.
Não quero com isto dizer que não há cá mais ninguém com enorme capacidade (antes pelo contrário), e que não se criem agora Movimentos e Correntes que também fiquem para a história. Digo apenas que ele é o mais esclarecido, o mais maduro.
O álbum duplo que editou no ano passado é fruto dessa maturidade, um álbum que esteve na incubadora 9 anos (1998-2007). Como é hábito, o Manel não precipita os seus lançamentos dos seus produtos, que só saem quando estão no ponto certo.
Este disco é mesmo isso - não é uma banda sonora, é a longa-metragem toda.
Como definir em termos de géneros ou etiquetas? Não é rock, não é indie, não popular, nem é tango…é tudo – é Foge Foge Bandido.
Um disco diverso, que para nos contar a história, passa por vários estilos e formas, sem a necessidade de estarem relacionados entre si.
Depois, além da música, ainda há o livro de 160 páginas, com ilustrações do autor, que fazem, como já disse, uma obra grandiosa.
(Resta ouvir em palco, no festival para gente sentada, Santa Maria da Feira, dia 14 de Fevereiro de 2009)
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