31 janeiro 2009

29 janeiro 2009

Billy Powell - Lynyrd Skynyrd

1952-2009

Morreu, esta noite, devido a problemas cardíacos, o teclista dos Lynyrd Skynyrd, um dos últimos membros da formação original.
Nascido no Texas mas vivendo maior parte da sua vida em Jacksonville, Florida, Billy Powell começou por ser apenas roadie da banda Lynyrd Skynyrd. De 1970 a 1972 este foi o seu trabalho até que, uma vez durante um ensaio para um concerto, Billy tocou "Free Bird" ao piano, o que impressionou de tal maneira o vocalista da banda, Ronnie Van Zant, que imediatamente o contratou para teclista oficial.
Após assinarem contrato com a MCA Records, o conjunto lançou o primeiro disco de originais em 1973 Pronounced 'lĕh-'nérd 'skin-'nérd, seguido de Second Helping, contendo a mítica "Sweet Home Alabama". Nuthin' Facing, Gimme Back My Bullets e Street Survivors foram os discos que se seguiram até ao acidente fatal, em 1977, que matou vários elementos do grupo, incluindo o vocalista e líder Ronnie Van Zant. Billy sofreu vários ferimentos faciais, quase perdendo o próprio nariz.
Entre o acidente fatal e a nova encarnação da banda sulista em 1987, Billy esteve envolvido numa banda de rock cristão de seu nome Vision, onde, além de tocar piano, discursava sobre Jesus e os seus ensinamentos.
De 1987 até à data da sua morte, Billy, juntamente com Gary Rossington, era parte integrante dos Lynyrd Skynyrd, que continuavam ainda a fazer concertos por todo o mundo, passando o último a ser o único membro original da banda ainda em activo.

Television

Quem conhece, reconhece que foram uma das bandas mais influentes dos anos 70, especialmente na explosão do fenómeno punk nova-iorquino no final dessa década, do qual os Ramones, Blondie e Patti Smith são as caras mais visíveis e o (infelizmente já fechado) CBGB's o centro das atenções. Quem não conhece, está na hora de conhecer. Seja qual for o motivo, aqui vos deixo esta grande música "Marquee Moon" dos Television.


Enjoy!

27 janeiro 2009

Death Cab For Cutie - Narrow Stairs (2008)

O álbum “Narrow Stairs” marca o regresso da banda indie americana “Death Cab For Cutie”.
Este sexto trabalho de originais, o melhor da banda até à data, é composto por canções de arranjos simples mas extremamente eficazes.
Não é por acaso que o nome da banda foi retirado do filme “Magical Mystery Tour”, visto que os “Death Cab For Cutie”, foram influenciados pela música dos quatro magníficos de Liverpool.
A sonoridade desta banda, que faz lembrar bandas independentes que marcaram pontos durante a década de noventa como os Teenage Fan Club, Lemonheads ou os Super Furry Animals, vale essencialmente, pelas vozes melancólicas, guitarras hipnóticas e belo ritmo catársico da bateria.
Os momentos altos do álbum são as músicas “I Will Possess Your Heart”, “Cath” e “Long Division”.
Em suma, os “Death Cab For Cutie” são mais outros discípulos dos Beatles que me convenceram .

Mais sobre a relação Música/Cinema

Chega agora a minha vez de vos lançar um desafio - fazer uma lista com músicas que acabam filmes que gostam e/ou músicas que gostam que acabam filmes. Perfeito mesmo (e há vários exemplos disso) acabar um filme que gostam com uma música que gostam. Em resumo, a forma perfeita de acabar um filme. Rebusquem na memória e vejam o que de lá sai. Meto já as minhas mas nos comentários, para nao influenciar opiniões.

Espero que seja um interessante exercício de memória para todos!

26 janeiro 2009

Questão

Qual o disco,momento,movimento ou banda que mais vos impressinou/influenciou e vos fez despontar para a música. Todas as pessoas podem ter vários momentos na vida. Há sempre redescobertas que nos fazem crescer e sair de dogmatismos.
Fica aqui o repto.

25 janeiro 2009

Opinião e questão

Música

Lembro-me de um anúncio - daqueles de venda directa nos quais os pesadelos do avanço da idade (calvície e as tais pegas de amor) se resolviam ali, ao vivo perante uma plateia atónita - em que se promovia um colectânea para "road trips". Se a memóra não me falha, tudo começava com um Range Rover num dia de chuva londrino. O homem, distinto, vestindo um fato cinzento, preparava-se "for another day at the office" com o ar de enfado comum a todos os que arrancam para uma semana de trabalho. Vai daí, sacava da extensa colectânea de CD's que o tal spot publicitava e logo lhe nascia um sorriso de orelha a orelha enquanto trauteava os versos de "Sweet Home Alabama" a caminho do escritório. A imagem é simples e acertada: a música é a única arte inclusiva, no sentido em que podes apreciá-la enquanto vives. Mais. A música é a única arte que reactiva a memória: se ouvires determinada canção, serás levado para o tempo e circunstâncias em que ouvias essa mesma canção.

Acho que é mais ou menos isto, e que isto é mais ou menos consensual.

Já agora, uma lista de músicas "road trip" para que a malta curta enquanto viaja - sim, são comerciais, algumas delas até básicas, mas fazem todo o sentido. Juntem as vossas.

"Free Bird", Lynyrd
"Summer 69", Bryan
"Glory Days", Bruce Springsteen
"Rocks", Primal Scream
"Bad Moon Rising", Creedence
"Hey Jude" (claro), The Beatles
"Time", Pink Floyd
"Are you gonna go my way", Lenny Kravitz
"Simpathy for the Devil", Rolling Stones
"Whatever", Oasis
"Beetlebum", Blur
"Smels like teen Spirit", Nirvana
"Yesterdays", Guns'n'Roses
"Welcome to the jungle", idem
"Dirty Boulevard", Lou Reed
"The Bucket", Kings Of Leon
"Bohemian like you", Dandy Warhols
.... e por aí adiante

24 janeiro 2009

Scorsese - O Cineasta e a Música

Martin Scorsese, além de ser um dos cineastas mais influentes, é, como todos nós neste blog, um apaixonado por música.

Ainda era bastante jovem, quando, por iniciativa própria, se voluntariou para trabalhar no documentário "Woodstock" de 1970.

Durante a rodagem, conviveu de perto com músicos como Bob Dylan ou os Rolling Stones que mais tarde ajudou a imortalizar nos documentários: No Direction Home, Last Waltz e Shine a Light.

Ao que parece, esta paixão é para durar: Martin Scorsese, está a realizar um documentário sobre a vida do Beatle George Harrison, a ser lançado no próximo ano.

No entanto, a influência da música na sua cinematografia não se restringe aos documentários.

Ao contrário do que acontece nos filmes da geração "morangos com açúcar", a música no cinema de Scorsese nunca é empregue de forma gratuita, ou, como se diz na gíria, "para encher chouriços", mas sim para ajudar a caracterizar o estado emocional das personagens.

Exemplo disso, foi a partitura do compositor Bernard Herrmann, o mesmo de Alfred Hitchcock, que fez um trabalho notável no filme vencedor da palma de ouro: "Taxi Driver".

Um ano depois, Bernard Herrmann morre e Scorsese, consciente do valioso contributo do músico, dedica-lhe o filme.

Em conclusão, Martin Scorsese, que só se arrepende de não ter aprendido a tocar um instrumento musical, torna evidente a relação indissociável entre música e cinema.

O filme "Goodfellas" de 1990 é exemplo deste casamento perfeito. Ao som de "Layla" de Eric Clapton, observamos, com regozijo, a um verdadeiro tributo ao cinema:



Não Relacionado #2


Japan - Visions of China

Não Relacionado #1


Metronomy - A Thing For Me

23 janeiro 2009

CARTOON - Kurt Cobain



Beirut

"A Sunday Smile". Ele há músicas assim: progressão de acordes simples (não confundir com simplista), refrão a condizer, 3 minutos e poucos mais de som... que te agarram do início ao fim. Porquê? A voz: o mais importante instrumento musical é tudo para este homem, Zach Condon, um norte-americano europeu. A forma como a coloca, arrasta, sobrepõe, constrói uma teia de onomatopeias, envolve-te e deixa-te levar, é fantástica.

A isto, junta-lhe um ritmo de valsa (1,2,3; 1,2,3...) em que o contrabaixo paulatinamente conduzido para o apogeu com os metais, tambores, piano e tudo mais em que este Zach Condon colocou a mão para conferir textura e riqueza à sua música.

Mr. Mustard, obrigado.

CARTOON - Keith Richards

Kings of Leon - Only by the Night (2008)

And Here Were Go

O que fazer com uma banda que passa da obscuridade - das pequenas salas, de culto dizem-nos, onde fumar ganzas não só é socialmente bem visto (aceite, já o é há muito) como te faz sentir "um deles"; onde se respira uma certa atmosfera elitista que emana do simples facto de se estar a assistir ao concerto de um conjunto sem tempo de antena nas rádios/televisões, numa lógica de contracultura... - que passa da obscuridade, dizia eu, para o estrelato - dos pavilhões e estádios esgotados, da tímida pirotecnia e dos videoclips que tentam ser fiéis ao dia-a-dia de um grupo rock -? O que fazer? Amar, ou odiar.

Eu, sou sempre pelo amor nestes casos. Se os tipos que antes usavam barba ou tinham os fios de cabelo pelos ombros, como outra qualquer banda sulista dos 70's, decidiram apresentar-se com outras roupagens, eu digo: porque não? "A fama, sentiram-se atraídos pela fama..." E eu digo, outra vez, porque não? A fama traz-te o dinheiro e outros benefícios, os quais, agora, não me sinto à vontade para especificar... E ser ambicioso, querer ser reconhecido, é ser, apenas, humano. Quanto a superficialidades, estamos, aparentemente, conversados.

E quanto ao conteúdo? Bom, "Only By the Night" é o álbum rock de 2008. Tem, aqui e ali, um som mais britânico, "pop"? Tem. Mas também tem a "Closer" que, se não é a melhor música destes ex-hillbylly's, agora meninos-bonitos, deve andar lá perto; a "Notion", muito boa também; a "Sex on Fire", bem, os rapazes fazem com que uma canção com este tema soe a poesia. O que, convenhamos, não é fácil (atentem à letra).

Pink Floyd - Obscured by Clouds (1972)

Não sendo precisamente o típico álbum de Pink Floyd, "Obscured by Clouds, banda sonora para o filme La Valée, de Barbet Schroeder, é uma espécie de tesouro escondido. É um disco mais calmo, pausado, com imagens pastorais, um pouco ao estilo do que a banda estava a fazer, nomeadamente em Atom Heart Mother e Meddle. Músicas como "Burning Bridges" e "Wot's...Uh the Deal " trazem das melhores interpretações voz-guitarra de David Gilmour, especialmente a última.
É em "Obscured by Clouds" que Roger Waters começa a dar os primeiros passos para a sua visão mais intimista e psicótica em relação ao mundo. "Free Four", encoberta por uma melodia mais pop a fazer lembrar os Kinks ou T-Rex, esconde no seu interior letras sobre morte, envelhicimento, cinísmo e tristeza que iriam ser muito exploradas nos discos seguintes da banda.
Juntando alguns números instrumentais bem conseguidos, este disco, esquecido pela crítica e público, consegue ser mais do que uma banda sonora a um filme mediano, vivendo por si próprio.

The Killers

Confirma-se, por fim, a vinda de uma das bandas mais esperadas em Portugal nos últimos tempos. A banda norte-americana, natural de Las Vegas, estará, no próximo 18 de Julho no Estádio do Restelo, inserida no festival Super Bock Super Rock. O concerto faz parte da digressão do novo disco do conjunto, "Day and Age". Aguardam-se as restantes bandas. Pede-se um cartaz ao nível de 2007.

REPTO (cont.)

É evidente que não foi totalmente inocente, o meu repto. Não quis com isso criticar quem usa utiliza o termo música indie, mas apenas reflectir sobre o seu significado.

A meu ver, música é uma coisa, o movimento na qual poderá estar inserida é outra. Mas se o movimento pode ter tido importância na sua génese, não deveria tatuá-la em plenitude; ao invés, entendo a música como ela é, a sua natureza, os instrumentos que a produzem, os ritmos e compassos e o seu conteúdo lírico. O facto de se enquandrar numa determinada vaga é, até prova em contrário, puramente circunstancial.

Digo até prova em contrário, porque música há que não passa de fashionismo, amalgamação, repetição sem alma, e que por (muitas) vezes não é devidamente ignorada.
E aqui reside a perversão da catalogação: bandas que nela embarcam exibindo a t-shirt do (neste caso) indie, enganando e confundido muita gente.

Não sendo um dos enganados, presunçosamente, serei certamente um dos confusos. E na verdade não entendo a necessidade de se catalogar música que não seja pelas suas características musicais.

Sejamos honestos: não acham que é demasiado fácil meter tudo que tenha um aspecto retro no mesmo saco? Como se pode misturar Gogol Bordelo com Franz Ferdinand com Beirut?

A meu ver, essa é uma necessidade que se prende com aspectos comerciais da música e não com aquilo que interessa mesmo. E as pessoas deviam referir aquilo que interessa mesmo e não aquilo que é mais conveniente.

Obrigado pela participação, é bom ver este blog a mexer.

21 janeiro 2009

REPTO

Faço aqui o repto, de alguma natureza provocativa, mas essencialmente suscitado por um verdadeiro embaciamento, que uso óculos:

O que é música indie?

Desafio todos os intervenientes e leitores deste blog a participarem no repto e, assegurou-me o fundador, Mr Mustard, o que melhor se souber explanar, ganhará um vinil dos 4 non blonde.

Aphrodite's Child


Que poderão ter em comum Demis Roussos e Vangelis para além de serem gregos (embora Roussos tenha nascido no Egipto), barbudos e praticamente indiferentes para a população em geral? "Não poderia estar mais desinteressado", poderiam responder muitos. O melhor é irmos por partes.
Com uma carreira de quase 40 anos a solo praticamente irrelevante, Demis Roussos há de ficar conhecido, e não de uma maneira muito nobre, pela música "Goodbye My Love, Goodbye". Por outro lado, Vangelis Papathanassiou tem mais motivos para se orgulhar. Foram da autoria do compositor bandas sonoras para filmes como "Chariots of Fire", "Blade Runner" ou "1492: Conquest of Paradise". No entanto, e juntamente com o baterista Lucas Sideras e o guitarrista Anargyros Koulouris, fizeram parte de uma das bandas psicadélicas, não anglo-saxónicas (apesar de cantarem em inglês), mais importantes, Aphrodite's Child.
O trio/quarteto (inicialmente um quarteto, a banda ficou subitamente sem o guitarrista, Anargyros "Silver" Koulouris, devido ao serviço militar grego, acabando por falhar os dois primeiros discos, voltando, apenas, para o último fôlego da banda), composto pelo vocalista Demis Roussos, Vangelis nas teclas e, o já referido, Lucas Sideras na bateria, teve o seu início em 1967, o ano conhecido como o "verão do amor", o apogeu da música psicadélica.
Um ano após a formação da banda, na esperança de ganharem estatuto internacional, Vangelis propôs a mudança para Londres. Tal como numa tragédia grega, o caminho para a fama foi tortuoso. Para além de perderem o seu guitarrista para o serviço militar, ficaram retidos em Paris devido, em parte, à dificuldade em obter vistos de trabalho em Inglaterra e, também, devido aos tumultos por que passavam os parisienses nesse mítico mês de Maio de 1968.
Presos em Paris, a banda marcou, então, o seu caminho para o sucesso ao assinarem contrato com a empresa discográfica, Mercury, tendo lançado o seu primeiro single, "Rain and tears", sendo, provavelmente, a música mais conhecida da banda.




Com o sucesso imediato deste single, especialmente em França e em mais alguns países europeus, a banda acabaria por editar, nesse mesmo ano, o seu primeiro disco de originais, "End of the World". Um álbum muito "au courant" da época, com melodias psicadélicas e sinfónicas, muito ao estilo de uns Moody Blues ou Procol Harum, seus contemporâneos. Apesar de se notar algum tolhimento nas vozes, dado não serem uma banda anglo-saxónica, o disco revela momentos deliciosos , nomeadamente "End of the World", "Mister Thomas", o single "Rain and Tears" e mais psicadélica "The Grass is no Green".




Após digressões pela europa e, conseguindo, finalmente, autorização para embarcar para inglaterra, a banda preparou-se para gravar o sucessor de "End of the World".
Gravado no Trident Studios, um dos mais famosos estúdios londrinos, "It's Five O'Clock", segundo disco de originais da banda grega é um misto de continuação e despedida do primeiro álbum. O psicadelismo deixa de ser tão evidente, passando a banda a entrar por vários caminhos: um mais pastoral, como criando uma banda sonora a vários tipos de paisagens, em "It's Five O'Clock", a relembrar "Whiter Shape of Pale" dos Procol Harum, "Annabella" ou "Marie Jolie"; outro mais folk, evidente em "Wake Up", "Take Your Time"; ou um caminho mais duro e experimental como "Let Me Love, Let Me Live" e "Funky Mary".
Para uma banda não britânica ou americana, os gregos Aphrodite's Child conseguem criar um misto entre as duas culturas, dando-lhe um toque mais mediterrânico.




Porém, e apesar da banda estar a ganhar mais estatuto e andar em digressões, o efeito "Brian Wilson" acabaria por chegar. Vangelis, cansado de tournés, começou a não acompanhar a banda, preferindo manter-se no estúdio em gravações de temas, tal como aconteceu com os Beach Boys pós "Pet Sounds". Substituído em tourné por Harris Chalkitis, Vangelis começava a realizar os seus primeiros temas para bandas sonoras, nomeadamente para "Sex Power", o filme de Henry Chapier.
Com o virar da década, o sonho colorido dos anos sessenta, especialmente da segunda metade, já se tinha esfumado. Beatles tinham se separado, o movimento Hippie começava a chegar ao fim. Manifestações pacifistas deram lugar a tumultos variados por todos os estados unidos. Começava a tornar-se outro mundo, mais agressivo e crú.
Com um terceiro disco em preparação, a banda começava a ruir, pese embora não em número, dado que, Anargyros Koulouris, guitarrista retido na Grécia para serviço militar, estava de volta. O vocalista Demis Roussos estava já preparado para encetar uma carreira a solo, lançando o single "We Shall Dance", seguindo-se o álbum "On the Greek Side of my Mind" em 1971, ainda antes do disco final da banda, "666" sair para o público.
Este disco de curioso título, ideia de Vangelis com amigo liricista, ao exemplo de Brian Wilson com Van Dyke Parks, teve como mote o bíblico "Livro das Revelações". Um Projecto que fugia de sobremaneira ao estilo anterior da banda. Um álbum conceptual sobre o apocalipse de São João como uma ópera Rock. A música complexa que Vangelis já começara a criar nos dois primeiros discos encontra o seu auge neste disco duplo. Um projecto audacioso que levou, obviamente, à ruptura da banda já que Roussos, mais interessado em continuar na mesma linha dos dois primeiros discos, uma linha mais pop e acessível, mostrava as suas intenções ao editar um projecto a solo.
"666" é uma obra conceptual e difícil de digerir, podendo tornar-se longa e esquizofrénica, no entanto, revela um poder e uma musicalidade impressionantes. "Four Horseman" é o tema mais acessível, com a voz de Roussos no seu melhor, envolvida num grande nevoeiro de instrumentos musicais. A influência em músicas dos Verve é bastante visível neste tema e em "Altamont".
O disco acabaria por apenas ser editado em 1972, após o desaparecimento da banda. Acabou por ser, como aconteceu em outros casos, como o dos Zombies com "Odessey and Oracle", o canto do cisne, porém o álbum do reconhecimento. Demis Roussos e Vangelis tiveram as carreiras já referenciadas, o guitarrista Koulouris trabalhou com ambos e o baterista Sideras tentou, também ele, uma carreira a solo, porém pouco sucedida.


Ainda sobre a geração X... Ou não...

O Raul fez abaixo uma bela análise à história do século XX! Faltou mencionar talvez os Rage Against The Machine para levar ao extremo as ligações existentes entre o mundo da música e a envolvente política, mas pareceu-me muito bem.

Não posso é deixar de defender a qualidade de música do início dos anos 90, (a sua maioria vindas de Seattle mas não só), que se apelidou de grunge (que a meu ver é redutor, uma vez que se colocou no mesmo saco estilos de músicas diferentes). Estas bandas não se definiram pelo que ouviam na MTV, muito pelo contrário, foram contra tudo o que passava na MTV antes deles (final anos 80), quiseram mudar tudo o que estava estabelecido, e conseguiram-no de tal forma que todas as atenções se viraram para eles. E para isso é que eles não estavam preparados e com isso é que não conseguiram lidar (à excepção talvez dos Pearl Jam, que à custa de muitas guerras travadas, TicketMaster, não dar entrevistas, não fazer videoclips, passaram por dificuldades, mas mantiveram-se unidos, suportados por uma enorme base de fãs, da qual orgulhosamente faço parte). A própria MTV não estava preparada para tipos anti-establishment e por isso usaram-nos e rapidamente os deitaram fora, trocando-os por bandas pré-fabricadas para o sucesso.
A questão de não se ouvir grunge hoje (há quem ouça, mas concordo que a maioria não está para aí virada) diria que tem a ver com modas. Durante anos não se ouviu falar em Orange Juice e Gang of Four, até aparecem uns Franz Ferdinand a dizerem que estas tinham sido as suas influências. Quantas bandas dos anos 80 voltaram a aparecer nos últimos tempos com uma vaga revivalista? A música tem ciclos, e não tenho dúvidas que brevemente irão aparecer bandas com influências de Pearl Jam, Smashing Pumpkins, Mudhoney, entre outras. A qualidade está lá, é apenas uma questão de ciclos. Mas para quem descobriu a música com essas bandas, nunca serão esquecidas ou encostadas.

20 janeiro 2009

GENERATION X

A música, como qualquer expressão cultural, apresentou-se, de certo modo, como uma reacção ao panorama político geral.
Se os loucos anos 20, época de excessos, se ajustou perfeitamente à música desprendida do swing, de classes e pretensões, vocacionada sobretudo para a dança energética, os anos 50 e 60 foram suportados em grande parte pela veneração do oeste e o medo de morte da ameaça vermelha. Tratou-se portanto de um período optimista e dandy, em que letras como Love me do ou Baila la Bamba faziam as delícias de qualquer um.
No final dos anos sessenta começou a caminhar-se para uma maior responsabilidade, do meu ponto de vista, e introspecção, tendo surgido então o psicadelismo. A guerra no Vietnam apanhou este psicadelismo e conferiu-lhe poder de revolta contra o poder. Dos Beatles restava apenas John Lennon como voz relevante, enquanto McCartney escrevia Silly Love Songs. Os anos que se seguiram foram dedicados à redescoberta das drogas e, no final de contas, os setenta acabaram em seca criativa, sem explosão, sem mensagem, vazios, num mundo ocidental de prosperidade, segurança (a guerra fria já era coisa do passado, a 2ª guerra mundial muito mais) e a dar as boas-vindas definitivas à instalação do capitalismo.
Os anos oitenta iniciaram-se assim. Hippies deram lugar a Yuppies, San Francisco cedeu a Wall Street, políticas de direita reiniciaram-se, neoliberalismo, Tatcher, Reagan, o colapso das economias comunistas e a patetice musical imperou, de que a expressão Glam Metal diz tudo.
Única excepção de relevo: o muito underground movimento nova-iorquino entre 78 e 82 No-Wave, por oposição ao vazio New-Wave, em que artistas desconhecidos decidiram atirar uma pedrada no charco e violar tudo que havia de regras, reduzindo o Rock and Roll a uma memória vaga do género quando o Charlton Heston descobre um VW carocha no Planeta dos Macacos. Mas numa outra ocasião falei já de No-Wave.
Findos os anos oitenta, os ex-Hippies estão esparramados no sofá a ver no noticiário das oito a queda do muro de Berlin, vestem camisolas de alça encardidas, bebem Coca-Cola, jantam hamburgueres num tabuleiro, estão divorciados, já não acreditam em nada e batem nos filhos. Um desses (filhos) é o Kurdt Cobain.
A Geração X nasceu assim da decadência do capitalismo, da pobreza intelectual e de valores, do desemprego, das drogas pesadas, do cinismo que a geração anterior suscitou e que é agora acentuado de cada vez que ligam a televisão e passa um videoclip na MTV.
Mas o que nos trouxe essa geração? A sua música grunge tratou-se sem dúvida de um grito de revolta, mas ao contrário do movimento No-Wave, não trouxe grande criatividade. A necessidade de se ser sujo, filthy, grungy, touch me I'm sick, surgiu-lhes das entranhas, o que é sempre bom, e evidentemente também me afectou e também me interessei muito pela estética do Smells Like Teen Spirit. Mas em termos musicais, limitaram-se a seguir o que viam na MTV, verse, chorus, verse, chorus, verse, chorus, chorus, mas com mais distorção e buracos nas Jeans. O facto de hoje em dia dificilmente ouvirmos grunge ou nem sequer conseguirmos pensar num produto dele, evidencia a limitação que este estilo de música representou. Cobain sabia disso. E talvez por isso mesmo se tenha matado.
Ainda assim, Mudhoney é bom de ouvir de 2 em 2 anos e sabe optimamente revisitar o In Utero uma vez por ano.

PS em relação ao outro post da geração x, não vejo de que modo o Cavaco a possa ter influenciado e convém também relembrar que a primeira guerra do Golfo foi um conflito entre países do Médio oriente que teve participação ocidental após a invasão do Kuweit pelo Iraque, pelo que chamar-lhe de primeira investida no Iraque é muito redutor.

Dark was the Night (2008)

Primeiro que tudo quero agradecer a oportunidade de poder aqui ir mandando uns bitaites sobre cenas. A ver se consigo manter um ritmo interessante de posting para estas bandas, música não falta para aí!

Para começar, quero chamar a atenção de todos para uma compilação que será lançada no próximo mês de Fevereiro e me parece ter bastante potencial - Dark was the Night. Insere-se no programa Red Hot, de luta contra a SIDA, e vem mostrar um refresh deste programa, que ficou muito conhecido (pelos vistos batido demais) pelas misturas com ritmos locais de uma cidade, tendo Red Hot & Rio sido provavelmente o expoente máximo.

Dark was the Night é produzido por dois membros dos The National e conta com uma lista de participantes de peso, que deixa qualquer fã de música indie de água na boca. A ver:

DISC ONE:
"Knotty Pine" - Dirty Projectors + David Byrne
"Cello Song" - The Books featuring Jose Gonzalez
"Train Song" - Feist and Ben Gibbard
"Brackett, WI" - Bon Iver
"Deep Blue Sea" - Grizzly Bear
"So Far Around The Bend" - The National
"Tightrope" - Yeasayer
"Feeling Good" - My Brightest Diamond
"Dark Was The Night" - Kronos Quartet
"I Was Young When I Left Home" - Antony with Bryce Dessner
"Big Red Machine" - Justin Vernon + Aaron Dessner
"Sleepless" - The Decemberists
"Stolen Houses (Die)" - Iron & Wine
"Service Bell" - Grizzly Bear + Feist
"You Are The Blood" - Sufjan Stevens

DISC TWO:
"Well-Alright" - Spoon
"Lenin" - Arcade Fire
"Mimizan" - Beirut
"El Caporal" - My Morning Jacket
"Inspiration Information" - Sharon Jones & the Dap-Kings
"With A Girl Like You" - Dave Sitek
"Blood Pt. 2" - Buck 65 Remix (featuring Sufjan Stevens and Serengeti)
"Hey, Snow White" - The New Pornographers
"Gentle Hour" - Yo La Tengo
"Amazing Grace" - Cat Power
"Happiness" - Riceboy Sleeps
"Another Saturday" - Stuart Murdoch
"The Giant Of Illinois" - Andrew Bird
"Lua" - Conor Oberst with Gillian Welch
"When The Road Runs Out" - Blonde Redhead & Devastations
"Love Vs. Porn" - Kevin Drew

Chega dia 17 de Fevereiro, portanto mantenham-se atentos!

Enjoy!

19 janeiro 2009

X

Este post é dedicado à “Geração X”.

Fazem parte desta geração todos aqueles que viveram a sua juventude nos anos noventa e que agora estão prestes a fazer trinta anos. A minha geração.

Esta geração, apelidada por um mentecapto de “rasca”, foi espancada na época do cavaquismo por se manifestar contra um sistema de ensino podre, assistiu à primeira falsa investida dos Estados Unidos no Iraque e sentiu, pela primeira vez, a precaridade no trabalho.

Se esta geração tivesse uma banda sonora, julgo que a mais indicada seria o “Seattle Sound”, mais conhecido por “Grunge”.

Esta corrente musical, marcada por letras fortes e guitarradas distorcidas, surgiu no início da década de noventa na cidade americana de Seattle.

Das bandas saídas das garagens desta cidade industrial, destacaram-se os Nirvana, Soundgarden, Pearl Jam e Alice in Chains.

Com fortes influências do punk e do psicadelismo dos anos sessenta, criaram canções que foram a voz da geração de noventa, tendo como base uma sonoridade muito diferente da praticada pelas bandas rock insípidas dos anos oitenta como, por exemplo, os Bon Jovi.

No entanto, nem todas as bandas saídas de Seattle tiveram o sucesso comercial merecido. Bandas como os Screaming Trees, Mudhoney e Mother Love Bone, nunca viram os seus nomes nos mais altos escaparates.

Os Mother Love Bone, para muitos a primeira banda grunge, formou-se em 1988, donde constavam os músicos Jeff Ament e Stone Gossard que vieram a formar os Pearl Jam.

O álbum “Sweet Oblivion” dos Screaming Trees, lançado em 1992, foi outra das referências do grunge, mas depressa ficou ofuscado pelos campeões de vendas “Nevermind” dos Nirvana e “Ten” dos Pearl Jam, lançados no mesmo ano.

Finalmente, temos os “Mudhoney”. Esta banda de noise rock, da editora “Sub Pop” que lançou os os Nirvana, sempre esteve de costas voltadas para o sucesso comercial, visto que, sempre procurou uma sonoridade menos virada para o grande público.

Com o suicídio de Kurt Cobain dos Nirvana em 1994, o “grunge” foi declarado, por muitos, como morto,

Na minha opinião, as músicas permanecerão para sempre na memoria de quem as viveu.

17 janeiro 2009

Sonic Jason

Reparei, apenas há uns dias, que o actor Jason Lee (ver abaixo) aparece no vídeo 100% dos Sonic Youth, de 1992.


Sempre é uma boa desculpa para relembrar.

16 janeiro 2009

Animal Collective - Merriweather Post Pavillion (200)

Eu sempre dei pouca credibilidade aos críticos de cinema e musicais. Não me julguem, visto que, tenho razões de sobra.

As minhas obras predilectas sempre foram cilindradas pelos críticos: Dos inovadores filmes “Citizen Kane” e “Laranja Mecânica” até aos álbuns dos Led Zeppelin que a revista Rolling Stone caracterizou de “Inúteis”.

No entanto, tenho de admitir, que fiquei surpreendido com o aclamado “Merriweather Post Pavilion” dos “Animal Collective”.

Esta banda avant-garde de Nova Iorque, pratica uma pop psicadélica com pitadas de noise rock que nos deixa conquistados logo na primeira audição.

Cada faixa, com a duração de cerca de seis minutos, foi construída com acordes e arranjos de um perfeccionismo raro nos dias de hoje.

Igualmente brilhante é o artwork do álbum: Um holograma que nos transporta para outra dimensão como a sonoridade dos Animal Collective.




15 janeiro 2009

Holy Fuck - LP (2007)

O Canadá é, assumidamente, o país dos ovnis musicais deste novo milénio. Depois de bandas como os Arcade Fire ou Broken Social Scene nos deixarem “banzados”, aparecem os enigmáticos “Holy Fuck”.

Digo-vos uma coisa, é razão para usar o calão com regozijo quando falamos desta banda.

Os "Holly Fuck" têm sonoridade experimental à base de instrumentos tradicionais como bateria e guitarras distorcidas, instrumentos não tão tradicionais como sintetizadores e não instrumentos como sincronizadores de cinema 35mm (?!).

Esta prodigiosa junção resulta em descargas hipnóticas de belo ruído musical.

Se os Sonic Youth tivessem um filho com os Kraftwork seriam os “Holy Fuck”.

"Lovely Allen", o single de estreia do novo album, é uma sinfonia supersónica de forte inspiração cinematográfica.






13 janeiro 2009

CARTOON - Noel Gallagher

DiG! (parte dois)

Decido escrever a parte dois do texto acerca do documentário DiG! num momento de terrível aflição, pois sinto a tripa a rebentar, interrompida apenas por um virgem esfíncter. Por alguma razão decido aguentar e escrever este post, resoluto a evacuação tardia. Freud teria algo a dizer sobre isto.
Pois bem, a questão é que estava eu em Roskilde, naqueles dias chuvosos e lamacentos do Verão de 2007, de botas de borracha até às virilhas, impermeável em forma de poncho, boné género Che Guevara e através das gotas pousadas nas lentes dos meus óculos aproximei-me do palco onde iam tocar os The Brian Jonestown Massacre, banda desconhecida para mim, mas cuja dica do Mr. Mustard segui.
Era cerca da uma da manhã, e eu bocejava com aquele festival, tristonho, lamacento, chato, seguro, onde a multidão secretamente desejava apenas que um novo acidente género aquele que ocorreu em 2000 com os Pearl Jam brotasse espontaneamente. Os ciganos de leste, agachados por entre as nossas pernas, recolhiam sofregamente os copos de plástico de cerveja vazios que os modernaços, estilosos, alcoolizados, sensuais europeus deixavam cair para a lama, em desprezo capitalista. Era um festival rock sem emoções, sem charros, sem heroína, sem fúria, sem amor, sem raiva, sem prazer. Um festival em que os festivaleiros fingiam passar um bom bocado, mesmo que imersos em lama, merda, mijo e infertilidade artística.
No meio da minha sonolência surge-me então esta banda, como que uma erecção que nos apanhou de surpresa e atingiu-nos a vista. Afastei o falo do globo ocular e deleitei-me com o pujante e espacial som que emanava do palco. De repente, à uma da manhã, estremeci pela primeira vez e pensei que a minha bicicleta iria permanecer ancorada naquelas grades durante algum tempo. 3 horas.
Evidentemente que o Anton Newcombe tem um problema emocional grave e os insultos e provocações que lhe saem da boca como quem bebe um gole de água são mais do que show off.
É do caos que brota a criação, pensei. A arte como reacção. E obviamente num ambiente estéril como este em que vivemos hoje, dominado pelas empresas corporativas, não pode levar a lado nenhum excepto para bandas-fashion género The Strokes, The Arcade Fire, e outras que tais que fazem a malta acreditar que são autênticas e não fruto duma onda qualquer.

Resumindo:

Quando uma mulher toma quantidades importantes de antibiótico de amplo espectro por causa duma amigdalite, corre o risco de ter as bactérias que colonizam saprofitamente a sua vagina eliminadas também, em jeito colateral. Ora, essa esterilidade embora à primeira vista pareça saudável (ninguém quer ter bactérias em lado nenhum) faz com que os locais que elas ocupavam fiquem livres para outras bactérias aparecer, essas sim prejudiciais à saúde. Surgem então infecções urinárias, de origem bacteriana ou até mesmo fúngica.

OQE1BLOG - 1

Olá. A partir de agora, nós aqui no OQE1BLOG vamos também dar sugestões no blog do amigo Mr Mustard. Ainda que o blog não seja só dele. Ou é dele porque foi o fundador. Mas se calhar não foi. Vocês percebem.

Não esperem de mim aquilo que normalmente considerariam uma crítica de música. Se vier eventualmente a escrever uma, será segundo os meus próprios critérios e não tão ligada a aspectos não-musicais como a crítica musical comum.

Vou utilizar este espaço para sugerir, em princípio sem grandes considerações, coisas que gosto. Umas podem ser melhores, outras não tão boas, posso gostar mais de umas e não tanto de outras. Mas vai ser sempre bom. Contem com música nova, com clássicos e com música mais obscura. Não contem com uma opinião reaquecida de alguma coisa que já foi escrita na maioria das publicações musicais que existem.

Não sendo grande fã de crítica musical escrita, apoio o advento da maior democratização da opinião pública através da Internet e dos blogs. Apesar de não ser consumidor, e apesar da maioria das pessoas não saber o que diz. Mas devo dizer que a maioria da música nova que consumo vem da MTV2, já de si um meio que tem uma selecção reduzida do que passa - tirando o 120 Minutes, que é uma excepção muito importante. Mas vejo-o como um meio positivo, porque não estou a confiar na opinião de outra pessoa ou entidade de uma forma directa, mas tenho assim a possibilidade de fazer os meus próprios juízos de valor ao ouvir.

Seja como for, espero que seja refrescante e diferente. Certamente que vai ser.
Fiquem com os Everything Everything - Suffragette Suffragette.

Franz Ferdinand - Tonight (2009)

Adivinhem quem está de volta? São eles, Franz Ferdinand, um dos regressos mais aguardados dos últimos tempos. Tonight, terceiro disco de originais da banda, chega como, provavelmente, um dos principais álbuns do último ano da década.
Após, praticamente, quatro anos de hiato entre o segundo disco, You could have it so much better, e este, Tonight, os FF estão de volta.
Esperava-se muito deste terceiro registo da banda escocesa até porque foram considerados do melhor que apareceu nos últimos anos em termos musicais. O problema, para os Franz Ferdinand, é apenas este: O seu primeiro disco foi óptimo, apareceu em tempo oportuno, as sonoridades repletas de sentido para a altura. Take me out, This Fire, The dark of the Matinee são músicas que ficarão para sempre na história mais recente da música. Em contra balanço, o segundo disco pareceu mais forçado, até porque surgiu apenas um ano depois, pese embora tendo grandes êxitos como Do you want to, This boy ou Walk away. Tonight, terceira experiência da banda, surge como uma evolução do segundo disco, porém notam-se alguns upgrades, sobretudo toques de Kraftwerk, sendo o som electrónico mais predominante, no entanto, o mote dado por Alex Kapranos, vocalista da banda, é o mesmo dos outros discos: "música para as miúdas dançarem!". Há músicas mais soturnas mas com refrões à Franz Ferdinand. O single Ulysses é um exemplo. Turn It On é um rocker que passa bem, enquanto No You Girls tem mais groove. Live Alone será uma das músicas para levantar o público da plateia em qualquer concerto. Can't Stop This Feeling é portadora de uma batida e orgão que não deixam ninguém indiferente, enquanto Lucid Dreams põe a banda de Glasgow no nível experimental. A terminar, uma melodia doce e suave com Katherine Kiss Me. No cômputo geral fica-se com um sabor agri-doce. Há bons momentos, mas não se sente que era este o disco que o público de FF estaria à espera, mesmo que o pior de Ferdinand seja o melhor de muitas bandas. Mas eles fizeram que esperássemos muito deles. Espero que não nos enganemos...