29 outubro 2008

Lynyrd Skynyrd - Pronounced Leh-Nerd Skin-Nerd (1973)

Oriundos de Jacksonville, Florida, e ostentando por toda a parte a bandeira sulista, os Lynyrd Skynyrd são uma das bandas mais importantes do rock sulista, em particular e da música americana em geral. Ao contrário dos Allman Brothers que tendiam em improvisar nas suas músicas, estendendo-as por vários minutos, os Lynyrd eram muito mais focados no seu tipo de música blues,rock e country. Pronounced Leh-Nerd Skin-Nerd, primeiro disco da banda original até à morte de vários elementos, incluindo o guitarista e vocalista Ronnie Van Zant, de acidente de avião, em 1977. Composto por apenas 8 músicas, destacam-se a mítica Free Bird, com o seu longo solo de várias guitarras e as baladas Tuesday's Gone e Simple Man.
Um disco essencial ao lado do seu seguidor Second Helping, que contém a lendária Sweet Home Alabama.

25 outubro 2008

os Los Hermanos... tugas?

Foi com incomparáveis sentido de humor e poder de observação que Eça de Queirós retratou um dia certos portugueses: balofos de mediocridade, afastam-se da sua naturalidade para abraçar cegamente costumes e modas estrangeiras.
Pensei nisto ao ouvir na rádio uma cançoneta-imitação duma banda-myspace portuguesa. Segui-a até ao fim curioso de saber quem seriam esses tailandeses vendedores de malas Gucci em coloridas feiras de toldos de plástico merecedores da atenção dos tipos da Radar. Felizmente para a minha natureza mórbida, após a canção veio uma curta entrevista em que lhes perguntaram
por que é que vocês escolheram esse nome?
ao que um deles respondeu
não sei, queríamos um nome que fosse assim tipo chamativo e que ficasse no ouvido
portanto, conceptuais não são, concluí e tive pena de ninguém lhes ter informado que geralmente os pontos negros ficam no nariz e não no ouvido. No entanto, esta rapaziada tem mérito na escolha do nome: é que, tal como acontece com a ocorrência epidérmica, espremer a sua música resulta numa espécie de merda sebácea.

23 outubro 2008

The Beatles=NSync?

Existe uma tendência em associar o Rock n Roll a um certo grau de marginalidade: o sair da norma terá sido, na opinião de muitos, a própria génese deste género. Um exemplo genial desta relação está patente no filme Back to the Future em que a aborrecida música de salão é substituída pela energia tão vibrante e inesperada quanto irreverente saída da guitarra do Michael J Fox.
Tendo sido os The Beatles e os Rolling Stones a transportar este género para os ouvidos de todo o mundo, será razoável considerá-los a voz de uma juventude que saiu à rua decidida a quebrar as regras impostas pela sociedade, louvando a marginalidade e a procura pela liberdade intelectual, tendo como resultado o período mais fértil e criativo da história da música e arte em geral?

Nem por sombras.

O que os Beatles e os Stones acabaram por fazer foi precisamente o contrário: constituir um importante pilar do capitalismo.
Se por um lado observamos a ausência de mensagem, quer política quer filosófica, gritante especilmente nos primeiros anos, por outro o fenómeno de arrastamento de multidões criado só tem par visual na deslocação migratória de búfalos nas áridas planícies africanas ou nas idas dominicais ao Ikea em época natalícia. Afinal de contas, não se encontram grandes divergências entre as expressões das tontas criaturas que assistiam aos concertos de estádio de futebol e as dos dementes peregrinos que pulavam diante das câmeras de televisão para verem de mais de perto a inauguração da nova igreja em Fátima.
Não será portanto descabido para ninguém a comparação entre a adoração da juventude de 60 por estas duas bandas com a génese das boybands dos anos 90, de natureza predominantemente corporativa e capitalista; a fórmula que McCartney e Associados exploraram tornou-se na base da própria indústria da música, rendendo milhões de dólares aos criativos e aos accionistas das respectivas empresas discográficas e de todas as outras que quiseram também entrar na corrida ao ouro, suportando financeiramente o seu desenvolvimento em troca de publicidade.
Mas os Beatles, tal como os Stones, participaram em acções marginais, dirão ingenuamente alguns, evocando o concerto ilegal trasmitido do telhado ou o aumento os decibeis dos amplificadores para limites não aceitáveis pelas autoridades (sim, alguns polícias farfalhudos terão ficado chateados com estas duas malandrices). Ora, tudo isso foram lérias da entretainment industry cujo objectivo era apenas um: vender mais e mais e mais. e mais.

Não condensem porém o pensamento aqui discorrido (cuja originalidade nao proclamo) em negativismo musical: tal como dum Bush nasce a necessidade de um Obama, do enjoo da globalização floresce subterraneamente a individualidade de pensamento, do padrão aborrecido da normalidade enraíza-se o esforco intelectual de acordar as pessoas. Enfim, dum Paul McCartney às vezes surge um John Lennon, o que é muito bom.

08 outubro 2008

Vinyl

Hoje foram adquiridos mais estes seis discos:


The Stone Roses











Funkadelic - Maggot Brain














Johnny Cash - At San Quentin













The West Coast Pop Art Experimental Band - Part One














The West Coast Pop Art Experimental Band - Vol.2















The Electric Prunes

07 outubro 2008

Foxboro Hot Tubs - Stop Drop and Roll!!! (2008)

Muita gente poderá, neste momento, estar a perguntar-se quem serão estes Foxboro Hot Tubes. Provavelmente mais uma de muitas bandas da cena indie rock que aparecem como cogumelos, vindas do nada. No entanto, para espanto geral, esta banda é composta por três elementos já há muito conhecidos da praça pública. Será que Dookie relembra algo? Exacto. os Foxboro Hot Tubs são, até à data, uma banda paralela aos Green Day, e, onde estes eram sinónimo de Punk, esta nova encarnação liderada por Billie Joe Armstrong é completamente agarrada ao Garage Punk Revival, ou seja, às influências da British Invasion, sendo que até a própria voz está diferente. Stop Drop and Roll!!! é um álbum descontraído e sem pretensões de ser mais do que é. Revela uma nova frescura na banda e um escape para todo o furacão que foi todo o pós American Idiot. Se este for o único exemplar desta roupagem nova dos Green Day, já terá valido a pena.

06 outubro 2008

Os Pontos Negros - Magnífico Material Inútil (2008)

Ainda bem que apareceram.
Os Pontos Negros, que se estreiam em grande com Magnífico Material Inútil, surgem como uma lufada de ar fresco.
Vêm de Queluz, Portugal, cantam em Português, e (o melhor de tudo), cantam-no bem. Arrisco dizer que já não se ouvia nada assim desde os Ornatos Violeta.
Os Pontos Negros aparecem neste disco com música rock’pop, com muita identidade, maturidade, e feita à medida para ser cantada em português.
A música dos Pontos Negros é trabalhada, cuidada e acima de tudo muito apurada. O resultado é um produto musical compacto, e com uma agradável harmonia entre as notas e a letra.
As letras, essas, são do mais fino recorte literário. Os Pontos Negros brincam com a língua portuguesa, e fazem as sílabas encaixarem nas notas.
Ainda são novos, estão no início da carreira. Mas espero não me enganar quando digo que estes rapazes vão ter uma palavra a dizer na história da música lusa.

(Para comprovar, dia 11 de Outubro, no Music Box em Lisboa, a estreia do álbum).


02 outubro 2008

The Knack - Get the Knack (1979)

De 1979, em plena New Wave, chega-nos a estreia dos Knack. Um disco que rapidamente chegou aos tops muito por causa do hit, My Sharona. Música essa, que o próprio Kurt Cobain disse ter sido uma das razões pela qual formou uma banda.
Pegando na pop dos anos 60, mais ao nível de Kinks ou The Who, os Knack moldaram-na ao estilo dos tempos, a New Wave, tão em voga em bandas como Blondie, Elvis Costello ou Squeeze. Um grande álbum que acabaria por ser o seu único de registo, já que a partir daqui foi sempre a descer.

01 outubro 2008

British Invasion

Bandas como os Kinks, Them, Animals ou Spencer Davis, passando claro pelos Beatles e Stones, entre outros, pegaram no antigo rock n' roll americano e transformaram-no de uma maneira muito própria. Fizeram o público americano voltar a gostar da sua própria música. O contra-ataque americano veio pelas vozes dos Birds ou Buffalo Springfield, desaguando mais tarde em São Francisco, donde viria a nascer o Rock Psicadélico.