31 janeiro 2005

Yes - Close To The Edge (1972)

Rick Wakeman uma vez disse: “Quando gravamos esse álbum, os que já gostavam passaram a gostar mais…os restantes passaram a ter-nos um ódio de morte…”
Uma frase que rotula perfeitamente a música dos Yes em particular, e o Rock Progressivo em geral. Quem detesta grandes demonstrações de virtuosismo e não suporta ouvir a voz angélica de Jon Anderson, sem ter no mínimo um ataque epiléptico…pode parar de ler por aqui!
Os outros façam o favor de me acompanhar até 1972 aos Advision Studios em Londres onde cinco músicos de alto gabarito compunham um dos álbuns mais aventureiros da história do rock.
Jon Anderson, Steve Howe; Chris Squire; Rick Wakeman e Bill Bruford constituíam em 1972 a par dos Emerson Lake & Palmer; King Crimson e Genesis um dos maiores super-grupos do chamado Rock Sinfónico.
O disco abre com "Close to the Edge" uma suite de quase 20 minutos, dividida em 4 movimentos. O som de pássaros misturado com uma poderosa entrada "jazz-rock" de bateria, baixo e guitarra dão “A Solid Time of Change" (1º movimento) uma das intros mais estranhas e poderosas de sempre.
È sobre esta divagação multi-instrumental que Jon Anderson começa a cantar aos 5 minutos, no 2º movimento em "Total Mass Retain". Somos imediatamente transportados para um universo para lá da via láctea, com letras inspiradas em povos e planetas já desaparecidos.
A toada mantém-se num crescendo até “I Get Up, I Get Down”. Aqui descobrimos pela 1ª vez um Wakeman inspiradíssimo que compõe uma sinfonia espacial em órgão de igreja acompanhado de um dos instrumentos que mais caracterizam o rock da época: o Moog.
O tema ganha uma proporção quase dramática interrompida subitamente pela secção rítmica de Bruford e Squire que nos introduz a última parte: “Seasons of a Man”. Os Yes voltam á carga com toda a força aproximando-se um pouco dos ambientes mais tarde criados pelos seus discípulos Dream Theater.
Em linguagem “viniliana“ acabava o lado A e começava o Lado B com “And You And I”. O grupo introduz-nos nas suas raízes folk, revelando-nos um Steve Howe bastante hábil nos temas acústicos que marcariam com sucesso o resto da carreira da banda. O tema evolui espantosamente para um uma sinfonia que faz pensar o que seria se Stravinsky tivesse vivido dentro da cultura Hippie.
Em “Siberean Khatru” (último tema do disco) o grupo revela um lado mais bluesy e rockeiro com alguns ecos à moda de Jimi Hendrix. Menção honrosa aqui mais uma vez a Rick Wakeman, que consegue por o povo a “rock n rollar” ao som de um cravo do Séc. XVIII.
Já não se fazem discos assim…

20 janeiro 2005

The La's - The La's (1990)

A história dos The La's confunde-se com a do seu primeiro álbum. Exactamente por ter sido o seu único. The La's, álbum homónimo da banda de Liverpool, reeditado em 2001 com músicas extra, dá-nos a conhecer um projecto de um grupo tumultuoso que deveria ter continuado a escrever mais material, dado à qualidade significativa do seu primeiro e único disco.
Muitos neste momento devem estar a comentar quem serão esses tais de La's que nunca ouvi falar. Pois, confesso que a primeira vez que ouvi falar dos La's foi na Vh-1, quando ainda tinha alguma qualidade, com o single There She Goes. Esse mesmo que ouvimos há pouco tempo, numa cover(mais uma) dos Sixpence None The Ritcher(copistas). There She Goes é um dos lados dos The La's, mais pop é certo, mas com qualidade. Ao ouvirmos o álbum conseguimos ver de onde veio inspiração para algumas bandas Britânicas, nomeadamente os Oasis por Noel Gallagher e The Coral, mais um grupo de Liverpool que conta já com três albuns de grande qualidade.
Percebe-se, então, que os La's tiveram um bom marco na história da música, apesar da sua curta carreira discográfica, a fazer lembrar os The Verve.
Fica-nos a sua música que, apesar de escassa, marcou uma série de bandas posteriores.
Para fãs da Britpop e não só, recomenda-se a audição. Não se vão arrepender.

Smoke on the Water: The Deep Purple Story - Part II



1970 era o ano da consagração dos Deep Purple! Em Outubro, o grupo gravava com a prestigiada Royal Philarmonic Orchestra o "Concert for Group & Orchestra", uma composição clássica de Jon Lord dividida em três "movimentos" que recebeu inúmeros prémios da imprensa britânica. A fechar o ano, o single "Black Night" atingia o top dos singles mais vendidos de Inglaterra.
A "Purplemania"alastrava por toda Europa, EUA, Japão e Austrália. Mas atrás do sucesso vem sempre algum problema. Apesar de se complementarem 100 % musicalmente, Ian Gillan e Ritchie Blackmore eram o "ying" e o "yang" do rock n roll. Muitas das suas discussões transportadas para o palco eram o melhor dos espectáculos, porém em estúdio, a tensão era insuportável.
Em meados de 1971 o grupo gravava o álbum "Fireball". O álbum apesar de ter mais sucesso que"In Rock", musicalmente não era tão forte. Alguma da imprensa acusava os Purple de serem demasiado experimentais em faixas como "Fools" e "Demon´s Eye" e demasiado comerciais em "Strange Kind of Woman" e "Fireball".
Contudo, a melhor maneira de calar as críticas é dar-lhes uma grande resposta. "Machine Head" de 1972, foi o álbum mais dificil que os Purple gravaram, mas também certamente o mais inspirado.
O disco estava para ser gravado inicialmente num teatro do "Casino de Montreaux," mas na véspera o local ardeu durante um concerto do Frank Zappa, ao qual o próprio grupo assistia.
Em 10 minutos o fogo espalhou-se por todo o complexo, tendo ardido mais de um terço da baixa da cidade. No dia seguinte, o baixista Roger Glover ao acordar na varanda do seu hotel, olha para a cidade destruída á beira do lago Geneva e exclama "Smoke on the Water".
Ao inicio o grupo estava relutante em usar a ideia de Glover. Mas quando o riff de Blackmore apareceu e as palavras de Gillan começaram a sair...nascia a lenda! Smoke on the Water, vendeu mais de três milhões de singles nos EUA, tendo sido entre 1972/1973 a canção mais passada nas rádios Fm!
Entretanto em Agosto 1972 a banda em tourné pelo Japão era convidada pela editora local a fazer um álbum ao vivo. Gravado em dois espectáculos em Osaka e um em Tokyo (o famoso Budokan), "Made in Japan" é considerado por muitos um dos melhores álbuns ao vivo de sempre da história do rock.
Do início de "Highway Star", passando pelo épico "Child in Time" e indo até "Space Truckin", os Purple fazem-nos viajar por milhões de escalas e notas musicais capazes de porem a nosso cérebro a andar á roda. Se fumarem um "porrozito" a ouvirem isto garanto-vos uma viagem de ida e volta a Marte com paragens em Saturno e Titâ.
Nesse disco, a versão de "Strange Kind of Woman" é soberba...a uma certa altura a troca de solos entre a voz e a guitarra fazem-nos pensar se a voz de Gillan não é uma "Fender Stratocaster" igual á de Blackmore!!
Infelizmente toda esta química não estava para durar. Em Julho de 1973, depois da saída do álbum "Who Do We Think We Are", Ian Gillan anunciava a sua saída do grupo. O vocalista farto das pressões da industria; da vida "mundana" das digressões norte americanas e das birras de Ritchie Blackmore, não voltaria a tocar ao vivo até 1976.
A saída de Gillan deixava uma posição dificíl de preencher. Contudo os restantes membros não baixaram os braços e começaram a procurar um substituto á altura...
Durante as audições para um novo vocalista, Roger Glover era despedido da banda por questionar "demasiado" o rumo musical que a banda estava a tomar. O castelo de cartas dos Purple parecia-se estar a desmoronar aos poucos...
Sem vocalista e baixista, Blackmore, Lord e Paice pensaram em separar-se de uma vez por todas, mas quando ouviram Glenn Hughes num bar em Los Angeles, o caso mudou de figura.
Glenn Hughes era o baixista e vocalista de uma banda inglesa chamada "Trapeze", pioneiros de um estilo que depois imortalizou os ZZ TOP: o Boogie Rock! A sua voz não ficava nada atrás dos agudos de Gillan e o seu estilo de baixo era mil vezes mais virtuoso que o de Glover. Tentem imaginar um Flea dos Red Hot Chilli Peppers com visual de metaleiro e um vozeirão misto de Stevie Wonder e Robert Plant. Parecia um casamento feito no céu...
Porém o enigmático Blackmore, não se sentia satisfeito com o "dois em um"! Ritchie preferia uma voz mais "bluesy", com um registo mais grave.
Quatrocentas e vinte audições depois e dois meses de agonia, aparece um "puto" vindo do noroeste de Inglaterra: David Coverdale!
Coverdale nunca tinha cantado profissionalmente e trabalhava como vendedor de" jeans" numa boutique em Redcar. Um amigo da loja, viu no jornal "Melody Maker" que os Purple precisavam de um vocalista e lembrou-se de David poderia candidatar-se ao cargo, já que o mesmo tinha gravado á pouco tempo uma "demo-tape" com o grupo "Fabulosa Brothers"! Quando a demo chegou aos escritórios dos Purple em Londres, Blackmore e Lord não hesitaram em contratar o "puto"...
Com esta nova formação e entusiasmo rejuvenescido, o grupo volta a Montreaux para gravar o álbum " Burn" em finais de 1973. No dia 29 de Dezembro desse ano, o grupo recebia a informação da revista Billboard de que todos os seus álbuns de estudio se encontravam no top 200 e que "Made in Japan" era dos 5 mais vendidos nos EUA.
1974 seria mais um ano em grande para os Purple. A 6 de Abril o grupo tocava para mais de 400 mil pessoas no festival "California Jam" em conjunto com os Black Sabbath, Eagles e Emerson, Lake & Palmer. O grupo era uma máquina de fazer dinheiro: cobrava 40 mil dólares por espectáculo e as vendas de discos cifravam-se nos 18 milhões.
Mas como nem tudo são rosas...no final de 1974, o imprevisível Blackmore anunciava a sua saída do grupo, após a gravação de "Stormbringer". Felizmente para os fãs, uma digressão europeia já estava marcada e o guitarrista era obrigado a cumprir os contratos.
Algumas destas datas de despedida foram das melhores de sempre em que o grupo actuou. Os shows de Paris e Berna haveriam de resultar no álbum "Made in Europe". Oiça-se com atenção os solos de voz e guitarra de "Mistreated", que fazem chorar as pedras da calçada. Ou mesmo as guitarras potentes e ferozes de "Burn" e "Stormbringer" para pular e gritar por mais.
No final da digressão, Blackmore formaria os Rainbow com o vocalista Ronnie James Dio, partindo para outros voos de "peso". Os outros começavam a fazer contas á vida...
A primeira reacção foi desistir. Como dizia e bem Jon Lord: "Ritchie era a fábrica de músicas da banda". Era impensável continuar sem o "mestre das cordas de aço"...o homem dos "riffs de fogo".
Coverdale pensava de maneira diferente. Para quê desistir? Se o génio "morreu", arranje-se outro. Esse outro encontraram-no na praia de Malibu no verão de 75, sob o nome de Tommy Bolin.
Thomas Richard Bolin, era um nativo do mid-west americano, descendente de indios sioux. O seu primeiro instrumento foi uma bateria. Mas quando tinha 14 anos, depressa percebeu que o seu futuro estava numa viola electrica "fender". O seu jeito rápido, a sua capacidade de improvisação (ora rock, ora Jazz) fizeram-no um dos guitarristas mais procurados pelos estúdios da América no inicio dos anos 70.
Bolin tocou com todos os mestres do Jazz-Rock: John McLaughlin; Billy Cobham; Jan Hammer; Otis Rush; Jeremy Steig, Jeff Beck, entre outros. No entanto o rock e o dinheiro falavam mais alto e em finais de 73, Bolin juntava-se ao colectivo James Gang, muito popular na altura nas terras do tio Sam.
Em Junho de 1975, Bolin estava desmpregado e tentava desesperadamente obter um contrato para gravar um álbum a solo. Quando Coverdale e Hughes o convidaram para fazer parte da banda, Tommy não hesitou.
O álbum "Come Taste the Band" foi o disco menos vendido dos Purple nos anos 70. Apesar disso, ele revelava uma grande capacidade de inovação (pouco comum em bandas Hard Rock). Escute-se os calmos "You Keep on Moving" e "This Time Around"; os funky "Gettin Tighter" e "Love Child" ou até o "Heavy" "Comin Home", para se perceber que este era uma quimica de músicos excepcionais e que o génio de Bolin não ficava nada a dever ao de Blackmore.
A tempestade estava para vir depois, quando o grupo iniciou nos finais de 1975 uma digressão mundial...
Tommy começava a revelar o seu lado negro. Recém chegado a um mundo onde as drogas se podem comprar em qualquer lado e em qualquer momento, Bolin tornou-se um viciado em Heroína. Muitas das suas "performances" deixavam muito a desejar nas digressões Asiática e Australiana. Para ajudar a este problema, Glenn Hughes tornava-se um dependente da Cocaína.
Muitas histórias e peripécias se contam desta tournée, mas quando o "circo" chegou ao continente norte- americano as coisas piaram doutra forma.
O álbum ao vivo "On the Wings of a Russian Foxbat" mostra o grupo na sua melhor forma, capaz de rivalizar com a formação dos tempos de Ian Gillan.
Apesar deste "breve" regresso á forma, o excesso de drogas, alcóol e egos á mistura continuavam a ser o dia-a dia da banda.
Em Maio de 1976, Coverdale anunciava inesperadamente a sua saída da banda num concerto em Liverpool. Jon Lord e Ian Paice cansados de mais uma mudança na formação, comunicavam aos managers e à imprensa, o fim dos Deep Purple...
(continua...)

Smoke on the Water: The Deep Purple Story Part I



"Dah Dah Dah Dah Darah Da Da Da Da da Rah". Quem nunca ouviu este riff ponha o dedo no ar, pegue numa faca, corte o braço aos bocadinhos e deite numa panela a ferver! Não se assutem... estou a brincar!
Estou a falar claro, de Smoke on the Water um dos hinos mais aclamados do Rock! Os seus autores são uns rapazes chamados Deep Purple que andam por aí há mais de 35 anos e que já venderam mais de 150 milhões de discos!
Formados em 1968, por dois músicos sedentos de fama e glória - Jon Lord (o mago do Hammond Organ) e Ritchie Blackmore (o feiticeiro da Fender Stratocaster) - os "Roundabout" (primeiro nome da banda) eram inicialmente financiados por John Coletta, um milionário americano disposto "a gastar umas massas no negócio da industria musical".
Em poucos meses foram adicionados mais três membros: o vocalista "Tom Josiano" Rod Evans; o baixista Nick Simper e um baterista capaz de rivalizar com John Bonham dos Led Zeppelin - Ian Paice.
Esta primeira formação gravou três excelentes álbuns de música psicadélica - "Shades of Deep Purple" (1968); " The Book of Taliesyn" (1969) e "Deep Purple"(1969) - que foram muito bem acolhidos nos EUA e muito ignorados no resto do mundo, especialmente no Reino Unido.
A falta de sucesso no país de origem, foi o tónico principal para a primeira mudança de formação! Saiam Rod Evans e Nick Simper e entravam em Julho de 1969 o vocalista Ian Gillan e o baixista Roger Glover ambos provenientes de uma banda folk chamada "Episode 6".
Em 1969, Londres vivia a ressaca da festa psicadélica dos anos anteriores. Os Beatles estavam nas últimas; os Stones perdiam Brian Jones e o LSD não era só visões de "árvores cor de laranja e céu de marmelada"! Vários sons e várias bandas estavam a nascer: os progressivos ( ELP; Yes; King Crimson e Genesis) e os "rockeiros" (Black Sabbath; Led Zepplein e Uriah Heep)!
Foi nesta última que acabaram por se integrar os Deep Purple. Ajudados por Ian Gillan, um vocalista capaz de ir do suspiro ao grito numa escala de notas e por um baixista extremamente hábil em produzir no estudio, os resultados não se fizeram esperar.
"Deep Purple in Rock" saído em Julho de 1970 foi um marco na banda. O disco vendeu mais de 1 milhão de exemplares na Europa e mais de 500 mil no Reino Unido. Curiosamente a editora EMI, ao inicio quando ouviu as gravações achou que o álbum não ia vender nada e esteve quase para os depedir. Felizmente as coisas não deram para o torto...
(Continua...)

19 janeiro 2005

Iron Maiden - A Dama De Ferro



Bom...já que está tudo na onda de falar das suas bandas favoritas, eis-me q dedicar algumas linhas (que nunca são demais) a esta grandiosa banda que conta já com quase 30 anos de carreira. No meio dos anos 70, um jovem do East end de Londres, decidiu formar uma banda á qual deu o nome de Iron Maiden ("Dama de Ferro", que tem duas conotações: 1, uma alusão á primeira ministra Tatcher, e ao instrumento de tortura). Esse jovem chamava-se Steve Harris, e 30 anos depois ainda é o baixista e um dos grandes mentores deste projecto da NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal). Com quase 15 álbuns de estúdio, vários gravados em espectáculos ao vivo, algumas coletctâneas e 3 ou 4 Dvd's, continuam com a força e a garra de sempre. Passaram por muitas mudanças de formação é certo (Harris é o único membro dessa longinqua formação inicial que ainda se encontra na banda); tiveram já 3 vocalistas diferentes desde o lançamento do 1º álbum ("Iron Maiden"), mas isso nunca foi razão para parar ou desistir. O Som da banda foi-se naturalmente alterando, mas nunca deixou de ter o caracteristico som de "Maiden"; a legião de fãs foi-se renovando, e tornando-se cada vez mais fiel e maior (No Rock In Rio 2001, tocaram para "apenas" 250.00 espectadores), lotando os inumeros espectáculos um pouco por todo o mundo (e vários em Portugal). Reunindo sempre um grande conjunto de músicos, criaram autênticos hinos do Heavy Metal (que mesmo "não-fãs" de Maiden reconhecem): "Fear Of The Dark", "Be Quick Or Be Dead", "The Number Of The Beast", "Hallowed Be Thy Name", "Iron Maiden" entre muitissimos outros. Elemento caracteristico da banda, são os chamados "Solos Duplos", com os 2 guitarristas (agora são inclusivé três) a solarem ao mesmo tempo com notas ou escalas diferentes, algo que veio a influenciar as bandas que se formaram depois dos Maiden. Outro elemento tipico da banda são os poderosos concertos e espectaculos cénicos em palco, contando sempre com aparições de Eddie, a mascote e uma das "caras" da banda presente na capa de todos os álbuns. Depois do abandono do carismático vocalista Bruce Dickinson, muita gente pensou que a história terminaria ali; não só não terminou como prosseguiu sempre em força e culminando inclsuivamente com o regresso do Lead singer á foamação no inicio do século XX1. Virado mais um ano, eis-me ansiosamente á espera do regresso aos palcos portugueses (será no dia 16/06/2005 no Pavilhão Atlântico....o Dia dos MEUS ANOS!!!!!) e de mais um álbum de originais. Para quem gosta será certamente uma compra a realizar. Para quem não gosta, pelo menos que respeite e tenha em consideração que uma banda deste género (e de qualquer outro género musical), que dure trinta anos, é porque são na realidade muitissimo bons. Para mim, tão lá em cima e a par de mais uma ou duas bandas, são os únicos que me fazem gastar 20 euros em cd's originais. Fã é fâ e tem que ter toda a discografia. UP THE IRONS.
Para mais informações sobre a banda, consultar o site www.ironmaiden.com

Saber, ou não, reagir bem à crítica

Parece que o Blog está a ser um sucesso ou pelo menos está a gerar controvérsia. Parece-me que o Vasco não está a aceitar bem uma crítica que não tem que ser necessáriamente negativa. Confesso que, embora não seja um conhecedor de Pixies como os restantes, sou profundo conhecedor de Nirvana para poder opinar neste assunto. Vasco: Não interessa que os Nirvana tenham roubado um riff aqui ou uma batida ali, todos o fazem. Muita da música que se ouve e que se ouviu é reinventada. O que interessa é a criação do que fazes com algo que retiras de outro som. Não tem que ser plágio, apenas recriação, partir de um ponto para nos afastarmos completamente para outro, por isso penso que essas tuas últimas afirmações são um tudo nada rídiculas.
Não quero entrar em mais discussões por isso fico-me por aqui, esperando que contribuam mais porque quem ganha é quem nos lê.
Obrigado
Fred

18 janeiro 2005

JOHN LENNON

"No dia 4 de Novembro de 1980, a maioria dos eleitores norte-americanos votaram favoravelmente a Ronald Reagan e foi eleito o quadragésimo Presidente dos EUA. A 8 de Dezembro de 1980, 34 dias depois, John Lennon - o ex-beatle que representou o efeito que a música rock pode ter na vida real mais do que qualquer outro artista da sua geração - foi assassinado à porta do seu apartamento em Nova Iorque por um fã, um tal de David Chapman.
A relativa coincidência destes dois eventos marcou o tom da década de cultura pop que se instalou.
A música rock, outrora considerada a banda sonora do movimento da contracultura, modificou-se."

Alec Foege

Não é muito frequente eu gostar de um álbum ao vivo, mas tenho de referir que houve um que me despertou extraordinariamente para a música: From The Muddy Banks of Wishkah. Está lá tudo o que o punkrock quer dizer: o exorcismo da angústia. É assim que eu o vejo, foi assim que ele nasceu.
Ao longo desta compilação cada power chord é uma libertação, cada arranhar de corda vocal, uma elevação espiritual. Trata-se de algo sombrio sujo interior - nada a ver com o gel que o Billie Joe Armstrong dos Green Day usa para espetar o cabelo - que chegou ao âmago de tanta gente.

Viviam-se tempos deprimentes: o alastrar do capitalismo, a descrença generalizada, a morte dos sonhos, o Lionel Ritchie. Claro que haviam coisas boas: a cena toda de Manchester no início da década de oitenta, os Sonic Youth, Ravi Shankar... Mas o pop o consumo imediato os gelados de verão absorviam as massas (encefálicas). Como hoje em dia, de resto. E uma insatisfação latente alastrava pela população ao ritmo duma ruptura familiar.
O Smells Like Teen Spirit é uma música que poderia ter sido banal. Mas não o foi porque surgiu em uníssono com a angústia juvenil do início da décade de noventa, com a necessidade de rejeitar a lama. O Vasco fez um paralelo entre Pixies e Nirvana, tentado compará-los, levando à letra aquilo que o Cobain disse a propósito do roubar a ideia aos Pixies. Por mais incríveis que os Pixies tenham sido, com uma linguagem não totalmente diferente da de Nirvana, não transmitiam a mesma mensagem, e haverá algo de mais importante que a mensagem? Não é isso que é a arte? Não é isso que faz a difreença? Há que não confundir os meios com os fins. E só fica bem a uma banda admitir as suas influências musicais, especialmente a uma banda como os Nirvana, tão dedicada em partilhar, promover outras bandas. Não se entenda que uns têm "melhores mensagens" que outros; simplesmente, umas chegam a mais gente, encontram maior empatia e foi isso mesmo que aconteceu com o Nevermind: empatia. Os Pixies interessavam-se por outras coisas e ainda bem. Vasco, não sejas ingénuo ao ponto de pensar que a glória dos Nirvana foi aleatória, que o mega sucesso que ironizas não teve razão de ser ou que, pior, se baseou num plágio.

O "From The..." revela-nos tudo isto mesmo: a força; a expressão da angústia; Cobain e público em harmonia celestial.
Acho que dá para compreender o beco sem saída em que ele acabou e só as mentes paranóicas é que pensam em assassinato.



A. Dudu

The Beach Boys - Pet Sounds (1966)

Para todos aqueles que pensam que Beach Boys é apenas e só Barbara-An, Surfin' USA e outras músicas a puxar para o teen dos early 60's aqui fica a prova de que esta banda norteamericana liderada por Brian Wilson também teve os seus momentos geniais e que momentos. Pet Sounds é a melhor resposta do outro lado do Atlântico ao fenómeno Beatles que arrasava os anos 60 de uma maneira inequívoca. Na altura o quarteto de Liverpool tinha lançado Revolver, mais outro marco na história musical, sendo a partir daí que se dá uma mítica competição entre Brian Wilson e Paul McCartney, que leva ao aparecimento de álbuns como Pet Sounds, Smile (só editado em 2004 por Brian Wilson) por parte dos Beach Boys e Sgt Pepper's (1967) por parte dos Beatles. Para quem esta época da música ainda é uma névoa, aqui fica o meu conselho: Oiçam tudo o que de melhor há, pois é provavelmente das melhores coisas que ouvirão certamente.
Factos históricos aparte, Pet Sounds é de facto delicioso. Aqui vemos os Beach Boys realmente no seu máximo, apenas suplantados pelo fantástico Smile apenas editado em 2004, mas isso é um assunto que fica para depois. Os habituais coros e as vozes bem trabalhadas são misturadas com uma panóplia de instrumentos e arranjos tão diversificados que impossibilitavam que discos como estes fossem tocados ao vivo. Estávamos realmente em tempos diferentes, tudo se fazia pela originalidade, coisa que muitas vezes não se encontra nos dias de hoje.
Há qualquer coisa que nos Beach Boys nos faz sempre sorrir e penso ser essa uma das grandes características e qualidades das suas músicas, "God Only Knows", "Wouldn't It Be Nice", "Sloop John B", "I'm Waiting For The Day" ou "Here Today" são exemplos disso.
Para quem apenas conhece Beach Boys pelos seus Best Of e não são poucos, realmente aconselho a ouvirem Pet Sounds, um dos melhores álbuns dos anos 60 e um dos melhores de sempre da música Pop/Rock.


Give peace a chance.

17 janeiro 2005

The Thrills - So Much For The City (2003)

So much for the city, nome do 1º álbum do quinteto de Dublin, é claramente um bom cartão de visita. Este LP de 2003 rapidamente nos faz regressar a uma época e a um estilo claramente marcado por bandas da infame West Coast norteamericana, tal como The Band, notando-se ainda certas influências de Beach Boys ou Monkees. No entanto, não deixam de ter a sua própria sonoridade. Referência ainda para o nome da banda ser inspirado pelo disco Thriller de Michael Jackson. Inspirações à parte, partimos então para a análise ao álbum propriamente dito.
O uso de instrumentos como o Banjo ou, ainda, a electrónica dão um toque especial e realmente resultam. A média de duração dos temas é o normal nas músicas pop/rock, à volta dos 3:30m, aliás, os Thrills não são uma banda pretensiosa, percebe-se que não estão a querer ser ground-breaking. Fazem a música que gostam, inspirados por um estilo que sentem e isso reflecte-se nos seus temas onde pontificam os sons suaves e melancólicos, por vezes tristes, por vezes alegres e descontraídos.Decerto sentir-se-ão, por vezes, em praias da California nos 60's e 70's ao ouvir estes sons.
Músicas como "Santa Cruz (You're Not That Far)";"Big Sur";"One Horse Town";"Your Love Is Like Las Vegas" são temas de cariz single, no entanto todo o álbum vale por si e é, sem dúvida, uma boa entrada no mundo da música por parte destes irlandeses que já editaram outro álbum em 2004, Let's Bottle Bohemia.

Altamont dia 1

Este blog surge da necessidade que sinto de exprimir a minha paixão pela música. Nele vou, em conjunto com outros amigos, fazer críticas, comentários ou divulgar ideias sobre álbuns antigos,novos, que nos digam alguma,muita ou coisa nenhuma. Não é um blog de opinião. É apenas de expressão de sentimentos em relação à música e aos seus intérpretes. Por isso decidi alarga-lo a mais pessoas, cada uma com o seu gosto pessoal pela música, já que nem todos sentimos a música e os seus diversos movimentos da mesma maneira.
Sendo assim, dou por aberto este blog.
Peace and Love.
Fred
.
Apenas um reparo histórico:
Quite simply, 1969's Altamont Festival was the death of hippiedom. Incredibly stupidly, The Rolling Stones had hired a local chapter of West Coast Hell's Angels to police the event and even more stupidly, paid them with $500 worth of beer.

Tragedy struck during the Stones' set, when the Angels took umbrage to Meredith Hunter, a black man in the crowd, being with a white woman. They attacked him with a knife, and when he drew a gun, hacked and stomped him to death, just yards from a somewhat nervous Mick Jagger. He'd flirted and would flirt again with the Devil - now he was up close to evil for real. He couldn't helicopter out of there fast enough.